 O
Via Funchal na última segunda-feira, 18 de fevereiro,
parecia o pátio de alguma escola de ensino fundamental,
repleta de adolescentes em sua maioria acompanhados pelos pais,
zelosos guardiães, e o burburinho atingia altíssimos
decibéis. A ansiedade no ar era patente e antes mesmo
do início da aguardada apresentação da
banda americana My Chemical Romance, muitos desmaios aconteciam
perto da grade de proteção do palco devido ao
grande empurra-empurra e ao calor. Foi uma noite de muito trabalho
para os seguranças e o pessoal da enfermaria.
Às 21h30, portanto bem cedo para os padrões habituais,
tem início o show e no palco, um negro pano de fundo
mostrava em letras brancas o nome do grupo.
Capitaneados pelo vocalista Gerard Way, os músicos Mikey
Way no baixo, Ray Toro e Frank Iero na guitarra e Bob Bryar
na bateria abriram a apresentação com “This
Is How I Disappear” debaixo de um enorme frenesi da platéia
e daí em diante seria uma explosão de luzes e
cores, num belíssimo efeito de iluminação
e muita, mas muita energia.
Se
as letras do grupo possuem um caráter depressivo, o que
os qualifica segundo alguns a pertencer ao quadro das bandas emo,
a empolgação e o clima de festa reinantes tornaram
esse rótulo descabido e o que rolou a noite toda foi puro
hardcore, com momentos de punk rock, entrecortados por eventuais
baladas, tudo na maior animação.
A
segunda música “Dead!” logo teve que ser interrompida
e Gerard pediu para que todos recuassem um pouco, tentando evitar
problemas maiores com a galera que se espremia cada vez mais na
tentativa de chegar perto dos ídolos. Ídolos que
exercem fascínio não só pelo visual de meninos
bonitos, apesar da cultivada palidez cadavérica, mas por
temáticas que expressam aquele desconforto típico
da adolescência. Era comum encontrar garotas aos prantos
e garotos de olhar fixo e embevecido cada vez que alguma música
mais tocante era apresentada e a cada palavra “obrigado”
em português disparada pelo carismático vocalista
seguia-se uma gritaria geral.
Entre
as músicas apresentadas estiveram “I'm not okay”,
“Sleep”, “Welcome to the black parade”,
“Teenagers”, I Don't Love You e sempre cantadas pelos
fãs numa altura que em muito se sobrepunha ao som dos músicos.
A banda se sai bem ao vivo e a performance teatral de garoto atormentado
e irrequieto do vocalista é um atrativo a mais atingindo
corações e mentes da molecada iniciante no mundo
do rock.Caminhando para o final do show, num momento mais melancólico,
o cantor apenas acompanhado por uma guitarra, interpreta “Cancer”
e mostra ser, de fato, dono de uma bela voz.
Depois
de 1h40 a apresentação termina com “Helena”,
insistentemente pedida pelos presentes. Não é uma
banda inovadora, talvez seja mercadologicamente fabricada, não
sei sequer qual será seu futuro, mas é no contexto
dessa garotada que compareceu maciçamente, desencadeando
com isso a realização de uma nova apresentação
do grupo nesta terça, é que ela tem que ser entendida
e estou certa de que para esses jovens, o show foi emocionante
de verdade.
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