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Hellion Records
 Matéria

21/02/2008
My Chemical Romance faz a garotada vibrar no Via Funchal
Texto: Giu Furlan
Fotos: Flávio Hopp

O Via Funchal na última segunda-feira, 18 de fevereiro, parecia o pátio de alguma escola de ensino fundamental, repleta de adolescentes em sua maioria acompanhados pelos pais, zelosos guardiães, e o burburinho atingia altíssimos decibéis. A ansiedade no ar era patente e antes mesmo do início da aguardada apresentação da banda americana My Chemical Romance, muitos desmaios aconteciam perto da grade de proteção do palco devido ao grande empurra-empurra e ao calor. Foi uma noite de muito trabalho para os seguranças e o pessoal da enfermaria.

Às 21h30, portanto bem cedo para os padrões habituais, tem início o show e no palco, um negro pano de fundo mostrava em letras brancas o nome do grupo.

VEJA AQUI AS FOTOS DO SHOW

Capitaneados pelo vocalista Gerard Way, os músicos Mikey Way no baixo, Ray Toro e Frank Iero na guitarra e Bob Bryar na bateria abriram a apresentação com “This Is How I Disappear” debaixo de um enorme frenesi da platéia e daí em diante seria uma explosão de luzes e cores, num belíssimo efeito de iluminação e muita, mas muita energia.

Se as letras do grupo possuem um caráter depressivo, o que os qualifica segundo alguns a pertencer ao quadro das bandas emo, a empolgação e o clima de festa reinantes tornaram esse rótulo descabido e o que rolou a noite toda foi puro hardcore, com momentos de punk rock, entrecortados por eventuais baladas, tudo na maior animação.

A segunda música “Dead!” logo teve que ser interrompida e Gerard pediu para que todos recuassem um pouco, tentando evitar problemas maiores com a galera que se espremia cada vez mais na tentativa de chegar perto dos ídolos. Ídolos que exercem fascínio não só pelo visual de meninos bonitos, apesar da cultivada palidez cadavérica, mas por temáticas que expressam aquele desconforto típico da adolescência. Era comum encontrar garotas aos prantos e garotos de olhar fixo e embevecido cada vez que alguma música mais tocante era apresentada e a cada palavra “obrigado” em português disparada pelo carismático vocalista seguia-se uma gritaria geral.

Entre as músicas apresentadas estiveram “I'm not okay”, “Sleep”, “Welcome to the black parade”, “Teenagers”, I Don't Love You e sempre cantadas pelos fãs numa altura que em muito se sobrepunha ao som dos músicos. A banda se sai bem ao vivo e a performance teatral de garoto atormentado e irrequieto do vocalista é um atrativo a mais atingindo corações e mentes da molecada iniciante no mundo do rock.Caminhando para o final do show, num momento mais melancólico, o cantor apenas acompanhado por uma guitarra, interpreta “Cancer” e mostra ser, de fato, dono de uma bela voz.

Depois de 1h40 a apresentação termina com “Helena”, insistentemente pedida pelos presentes. Não é uma banda inovadora, talvez seja mercadologicamente fabricada, não sei sequer qual será seu futuro, mas é no contexto dessa garotada que compareceu maciçamente, desencadeando com isso a realização de uma nova apresentação do grupo nesta terça, é que ela tem que ser entendida e estou certa de que para esses jovens, o show foi emocionante de verdade.


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