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 Matéria

31/01/2007
Matanza segue massacrando o medíocre e lança o CD Arte do Insulto!
Por: Eduardo Bueno (Jornalista)
 

Embora seja forçoso admitir que ainda não encontrou seu lugar entre as Sete Mais, não restam dúvidas de que o insulto é, ou bem pode ser, uma arte. E das mais requintadas, como não cansa de nos relembrar a admirável obra poética de Gregório de Matos Guerra, o popular “Boca do Inferno”, que manchou incontáveis reputações na Bahia do século 17. O insulto é a arte de elogiar, só que às avessas. Funciona mais ou menos assim: você escolhe seu objeto de desejo, seja ele uma pessoa, uma instituição ou um país, observa e seleciona bem suas características mais degradantes e… cai de boca, sem dó (até porque ainda te restam o ré, o mi, o fá, o sol, o lá, o si e, vá lá, o outro dó…).

É isso o que o grupo carioca Matanza vem fazendo com devoção desde o vulcânico início de sua carreira, nos idos de 2001: insultando, ofendendo, difamando, boquejando, afrontando, desacatando, descompondo, esculhambando, ultrajando, acometendo, abalroando, vituperando e xingando pessoas, instituições e países. Ou, quem sabe, um país específico, aquele que vive deitado eternamente em um esplêndido mar de lama.

Ao contrário do velho Gregório de Matos, que sequer dispunha de uma lira para versejar enquanto Salvador ardia sob as chamas de seus impropérios, o Matanza conta com os inestimáveis préstimos do rock e da eletricidade, materizalizados na guitarra alucinada de Donida e na pulsação nervosa do baixo de China, às quais se somam a tronituante bateria de Fausto e a furiosa voz irlandesa de Jimmy, o irado.

Filho dileto do underground carioca, a praia do Matanza nunca foi a mesma da garota de Ipanema. Ao misturar Johnny Cash com hardcore, o grupo se tornou o pai-fundador de um novo estilo: o countrycore - que fez a banda virar uma espécie de Johnny Crash. A definição faz sentido: a dor e a urgência da vida e da obra do grande Cash ressoam no subtexto e no super som do Matanza como em uma ode ao country white trash. Também há referências ao que os Raimundos fizeram de melhor no ritmo veloz e nas letras desbocadas dessa quadrilha de celerados que tomou de assalto a cena do rock brazuca (que, às vezes, ainda parece metida em bermuda e óculos, só faltam os suspensórios).

A Arte do Insulto é o quarto disco do Matanza. Produzido por Rafael Ramos com a dose certa de esmero e sujeira, o álbum reúne 13 músicas. São petardos desaforados desfilando em sequência vertiginosa e cujos próprios títulos falam por si: “Clube de Canalhas”, “O Chamado do Bar”, “Sabendo que posso Morrer”, “Meio Psicopata”, “Ressaca sem Fim”, “Tempo Ruim”… Uma beberragem sonora só para os fortes. Um barato que o disco esteja saindo em cima das eleições: tudo o que a gente tem vontade de dizer para essa gente em alto e mau som está dito na Arte do Insulto!

O Matanza bem poderia dizer o que diz de maneira educada - só que prefere latir. É que os meninos adoram matar cachorro a grito. Portanto, morte aos cães que ladram e roubam enquanto a caravana do Matanza passa levando os medíocres pro último drinque no inferno.

Mais Informações:

Carlos Ribeiro
Assessoria de Comunicação/Produção Casa da Zorra
casadazorra@gmail.com
(21) 9995-2880

Érica
Produção Matanza
contato@matanza.com.br
(11) 9253-0530


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Publicado 31/01/2007 : www.universodorock.com






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