A
VOLTA DOS GRANDES FESTIVAIS
Lembro claramente do finado Monsters of Rock,
de como na época a animação estava estampada
nos rostos de cada um que estava no estádio do Pacaembu
em 1995 para ver os monstros sagrados do Metal Internacional,
daquele estádio lotado tanto na pista quanto nas arquibancadas.
Lembro de toda a estrutura que compunha todo o evento, lembro
do calor infernal que fez naquele dia, e principalmente da qualidade
dos shows que rolaram durante aquelas quase 12 horas de evento.
Lembro também do último grande festival que rolou
na cidade de São Paulo, nos idos de 98, que teve nada menos
que Megadeth, Slayer, Manowar, Saxon, dorsal Atlântica e
outras bandas, e da euforia de todos ao final do evento. Passados
alguns bons anos eis que finalmente os produtores brazucas resolveram
investir novamente nesta empreitada.
Ao entrar no estádio do Canindé, uma avalanche dessas
boas lembranças me veio á tona ao ver aquele espaço
lotado de Bangers e toda aquela estrutura que faz parte dos grandes
festivais ao redor do mundo, me fazendo crer que o bom e velho
Metal ainda arrasta multidões.
Infelizmente por motivos alheios a nossa vontade,
acabamos por chegar atrasados ao evento, perdendo assim os shows
das bandas Thuatha de Danamn, Dr Sin e do The 69 Eyes, mas averiguamos
entre nossos colegas de profissão que as bandas mandaram
muito bem nos shows. Os mineiros do Thuatha abriram o festival
pontualmente as 13:30hrs conforme passado anteriormente, tendo
tocado para uma galera significamente grande, despejando seu bom
Folk Metal. Fato triste foi que, pelo fato de terem estourando
o tempo de apresentação, tiveram seu som cortado
pela produção do evento, pemanecendo mesmo assim
no palco fazendo um meio que “Acústico”. O
Dr Sin está de volta agora mais ativamente nos palcos,
com a mesma formação clássica e divulgando
seu mais novo cd, “Listen to the Drs” com várias
músicas com o título Doctor, como por exemplo “Dr
Love” do Kiss. Surpresa inicial foi a banda 69 eyes, que
chamou a atenção pelo seu som gótico, atraindo
uma galera de peso, e consequentemente alguns mais corajosos que
usavam sobretudo num sol de rachar, com direito a maquiagem e
tudo mais que cerca o estilo.
Logo depois eis que vem a tona os alemães
do Destruction, que não deixaram a desejar, substituindo
a altura a banda Testament que de última hora cancelou
sua vinda ao Brasil. Pode parecer que virou rotina a banda tocar
por aqui, visto que é a terceira vez desde 2002 que eles
se apresentam por aqui, mas o som dos caras é tÃo
bom que não enjoa o público. Mesmo com um sol infernal,
o Destruction comandou a massa e não deixou barato pra
ninguém, sendo que até os góticos agitavam
pela banda. Infelizmente no começo do show o som estava
embolado, não dando para perceber o que era baixo e guitarra,
mas no decorrer as coisas se normalizaram. Para resfriar a galera,
um jato d’agua foi jogado no público que se amontoava
e agitava ao trash metal dos caras, evitando assim maiores ocorrências
nos ambulatórios de plantão próximos às
grades. Após uma apresentação memorável,
saíram ovacionados pelo público, deixando a marca
destruidora nos ouvidos de cada um. Como agradecimento voltaram
para um bis.
Na seqüência se apresentou a banda
Rage, composto também por um Power Trio (Baixo, Guitarra
e Bateria), rolando suas músicas para uma galera cansada.
Parecia que o público ou desconhecia a banda ou já
estava exausta pelo calor daquela tarde. A grande maioria ficou
apreciando o show sem muita agitação, mas mesmo
assim alguns grupos de seguidores da banda agitavam e acompanhavam
as letras e os coros. Os músicos procuravam agitar a galera
ao máximo, sempre evocando eles a acompanha-los nos sons.
Após um set longo, o Rage saiu aplaudido pela multidão.
Em seguida os brazucas do Shaaman tiveram o privilégio
e as honrarias de não serem subjulgados pela produção,
tendo o status de grande banda e se apresentando no mesmo patamar
das grandes atrações que iriam se apresentar. Contando
com quase a mesma produção de palco utilizada na
recente turnê do álbum Reason, o Shaaman apresentou
repertório baseado nos dois CDs já lançados,
mas infelizmente não contagiou o público presente,
talvez pelo fato de já terem tocado muitas vezes aqui na
região metropolitana de Sampa. Ou seja, o mesmo Show, o
mesmo Repertório, a mesma turnê, até a mesma
abertura no estilo “Matrix” que já vimos este
ano por aqui. Ponto positivo o status a eles proporcionado neste
festival. Pena que ainda insistem em tocar “Lisbon”,
da época que faziam parte do Angra, no final de seus shows...
Expectativas a flor da pele e nos rostos dos
presentes. Um grande alvoroço no meio da galera. Um deslocamento
gigante para tentar chegar o mais perto possível do palco.
Nada mais, nada menos que a apresentação de uma
das bandas em maior evidência do metal internacional. NIGHTWISH!!!
Mas... eles já não se apresentaram por aqui? Menos
de um ano após sua recente passagem por terras brasilis,
eis que Tuomas e companhia desembarcam (novamente) para apresentação
da turnê do não tão recente Once, aclamado
por publico e crítica como um dos melhores, senão
o maior, lançamento da banda. Talvez o certo seja dizer
“o mais divulgado e maior aproveitado” do mercado.
Mas averiguamos que, comparado ao show anterior daqui de sampa,
desta vez a animação dos componentes estava muito
superior, talvez pelo fato de que desta vez a vocalista Tarja
não estava doente, talvez pelo calor humano do público,
o fato é que foi uma apresentação memorável
para quem esteve ali. Além da troca de figurino da vocalista,
e do som impecável durante a apresentação,
uma das surpresas foi a cover do Pink Floyd “High Hopes”,
cantada pelo baixista, mas pouco acompanhada pela platéia,
talvez pelo fato de não conhecerem este clássico.
Ao final foram ovacionados mais uma vez pelo público, deixando
muita gente satisfeita com o show. (Pena que , semanas depois,
a casa tenha virado de cabeça para baixo. Maiores informações
você pode ler nas notícias do Universo do Rock).
O Grand Finalle chegou, e em grande estilo. Talvez
a verdadeira razão da maioria dos presentes estar naquele
estádio já num horário tarde para quem iria
trabalhar no dia seguinte (nós, por exemplo), causou um
alvoroço entre os milhares de sobreviventes a árdua
maratona a que foram submetidos. Novidade para muitos, realização
de um sonho para muitos outros, o fato é que, apesar dos
pesares, o público queria ver mesmo era o SCORPIONS. Um
dos maiores dinossauros do rock finalmente se apresenta para os
brasileiros.
As cerca de 40 mil pessoas gritavam: “Olê
Olê Olê Olê Scorpions Scorpions”, foi
quando os cinco integrantes apareceram com a pesada New Generation,
do novo álbum Unbreakable. Deste CD a banda ainda tocou
mais três músicas: Love ‘em Or Leave ‘em,
Deep And Dark e Blood To Hot. As outras foram os clássicos:
Bad Boys Running Wild, The Zoo, We’ll Burn The Sky, Coast
To Coast, Holiday, Wind Of Change, Loving You Sunday Morning,
Tease Me Please Me, Blackout, Hit Between The Eyes, Big City Nights,
Still Loving You, Dynamite, Rock You Like A Hurricane e When The
Smoke Is Going Down. Foi impressionante ver a multidão
cantar todas as músicas dos veteranos que mesmo perto dos
60 anos de idade, e com 33 anos de carreira, esbanjam energia
e simpatia, e sem esquecer do peso das guitarras e o vocal reconhecido
mundialmente. O Scorpions mostrou que tinha que fechar o festival,
pois realmente foi o melhor show juntando as mais de 10 horas
de evento. Destaque para o carisma de Klaus Meine que contantemente
atirava baquetas para a galera e durante os solos de guitarra
tocava uma meia lua de percurssão; para a performance de
palco de Rudolph Schenker, que não parava um minuto com
suas Flying V´s, pulando e correndo e para Matthias Jabs
com os seus solos e presença de palco.
No final do festival alguns pontos devem ser
considerados e repensados pela organização: Os problemas
com o som não só com as bandas brasileiras mas também
com as atrações internacionais; O valor abusivo
cobrado por um copo de água por exemplo (R$ 4,00 é
crueldade); A venda de ingressos em shoppings, locais pouco freqüentados
por bangers; e INFELIZMENTE a violência contra o público
por parte de alguns seguranças que não entendem
de Heavy Metal, muito menos de compaixão pelo próximo.
Ponto postivo o fato da iniciativa de trazer a tona os grandes
festivais ao país, visto que este festival não ficou
restrito só a São Paulo, e pela qualidade das atrações
contratadas. Esperamos com muita fé que este festival role
por anos e anos, atraindo sempre grandes bandas para cá. |