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Hellion Records
 Matéria

Outubro/2005
Live N Louder Rock Fest
Data: 12/10/2005 - Local: estádio do Canindé – São Paulo/SP
Bandas: Scorpions, Nightwish, Shaaman, Rage, Destruction, The 69 Eyes, Dr Sin e Thuata de Danann
Texto: Patricia Carolina e Pepe Brandão
Fotos: Flávio Hopp
 
A VOLTA DOS GRANDES FESTIVAIS

Lembro claramente do finado Monsters of Rock, de como na época a animação estava estampada nos rostos de cada um que estava no estádio do Pacaembu em 1995 para ver os monstros sagrados do Metal Internacional, daquele estádio lotado tanto na pista quanto nas arquibancadas. Lembro de toda a estrutura que compunha todo o evento, lembro do calor infernal que fez naquele dia, e principalmente da qualidade dos shows que rolaram durante aquelas quase 12 horas de evento. Lembro também do último grande festival que rolou na cidade de São Paulo, nos idos de 98, que teve nada menos que Megadeth, Slayer, Manowar, Saxon, dorsal Atlântica e outras bandas, e da euforia de todos ao final do evento. Passados alguns bons anos eis que finalmente os produtores brazucas resolveram investir novamente nesta empreitada.

Ao entrar no estádio do Canindé, uma avalanche dessas boas lembranças me veio á tona ao ver aquele espaço lotado de Bangers e toda aquela estrutura que faz parte dos grandes festivais ao redor do mundo, me fazendo crer que o bom e velho Metal ainda arrasta multidões.

Infelizmente por motivos alheios a nossa vontade, acabamos por chegar atrasados ao evento, perdendo assim os shows das bandas Thuatha de Danamn, Dr Sin e do The 69 Eyes, mas averiguamos entre nossos colegas de profissão que as bandas mandaram muito bem nos shows. Os mineiros do Thuatha abriram o festival pontualmente as 13:30hrs conforme passado anteriormente, tendo tocado para uma galera significamente grande, despejando seu bom Folk Metal. Fato triste foi que, pelo fato de terem estourando o tempo de apresentação, tiveram seu som cortado pela produção do evento, pemanecendo mesmo assim no palco fazendo um meio que “Acústico”. O Dr Sin está de volta agora mais ativamente nos palcos, com a mesma formação clássica e divulgando seu mais novo cd, “Listen to the Drs” com várias músicas com o título Doctor, como por exemplo “Dr Love” do Kiss. Surpresa inicial foi a banda 69 eyes, que chamou a atenção pelo seu som gótico, atraindo uma galera de peso, e consequentemente alguns mais corajosos que usavam sobretudo num sol de rachar, com direito a maquiagem e tudo mais que cerca o estilo.

Logo depois eis que vem a tona os alemães do Destruction, que não deixaram a desejar, substituindo a altura a banda Testament que de última hora cancelou sua vinda ao Brasil. Pode parecer que virou rotina a banda tocar por aqui, visto que é a terceira vez desde 2002 que eles se apresentam por aqui, mas o som dos caras é tÃo bom que não enjoa o público. Mesmo com um sol infernal, o Destruction comandou a massa e não deixou barato pra ninguém, sendo que até os góticos agitavam pela banda. Infelizmente no começo do show o som estava embolado, não dando para perceber o que era baixo e guitarra, mas no decorrer as coisas se normalizaram. Para resfriar a galera, um jato d’agua foi jogado no público que se amontoava e agitava ao trash metal dos caras, evitando assim maiores ocorrências nos ambulatórios de plantão próximos às grades. Após uma apresentação memorável, saíram ovacionados pelo público, deixando a marca destruidora nos ouvidos de cada um. Como agradecimento voltaram para um bis.

Na seqüência se apresentou a banda Rage, composto também por um Power Trio (Baixo, Guitarra e Bateria), rolando suas músicas para uma galera cansada. Parecia que o público ou desconhecia a banda ou já estava exausta pelo calor daquela tarde. A grande maioria ficou apreciando o show sem muita agitação, mas mesmo assim alguns grupos de seguidores da banda agitavam e acompanhavam as letras e os coros. Os músicos procuravam agitar a galera ao máximo, sempre evocando eles a acompanha-los nos sons. Após um set longo, o Rage saiu aplaudido pela multidão.

Em seguida os brazucas do Shaaman tiveram o privilégio e as honrarias de não serem subjulgados pela produção, tendo o status de grande banda e se apresentando no mesmo patamar das grandes atrações que iriam se apresentar. Contando com quase a mesma produção de palco utilizada na recente turnê do álbum Reason, o Shaaman apresentou repertório baseado nos dois CDs já lançados, mas infelizmente não contagiou o público presente, talvez pelo fato de já terem tocado muitas vezes aqui na região metropolitana de Sampa. Ou seja, o mesmo Show, o mesmo Repertório, a mesma turnê, até a mesma abertura no estilo “Matrix” que já vimos este ano por aqui. Ponto positivo o status a eles proporcionado neste festival. Pena que ainda insistem em tocar “Lisbon”, da época que faziam parte do Angra, no final de seus shows...

Expectativas a flor da pele e nos rostos dos presentes. Um grande alvoroço no meio da galera. Um deslocamento gigante para tentar chegar o mais perto possível do palco. Nada mais, nada menos que a apresentação de uma das bandas em maior evidência do metal internacional. NIGHTWISH!!! Mas... eles já não se apresentaram por aqui? Menos de um ano após sua recente passagem por terras brasilis, eis que Tuomas e companhia desembarcam (novamente) para apresentação da turnê do não tão recente Once, aclamado por publico e crítica como um dos melhores, senão o maior, lançamento da banda. Talvez o certo seja dizer “o mais divulgado e maior aproveitado” do mercado. Mas averiguamos que, comparado ao show anterior daqui de sampa, desta vez a animação dos componentes estava muito superior, talvez pelo fato de que desta vez a vocalista Tarja não estava doente, talvez pelo calor humano do público, o fato é que foi uma apresentação memorável para quem esteve ali. Além da troca de figurino da vocalista, e do som impecável durante a apresentação, uma das surpresas foi a cover do Pink Floyd “High Hopes”, cantada pelo baixista, mas pouco acompanhada pela platéia, talvez pelo fato de não conhecerem este clássico. Ao final foram ovacionados mais uma vez pelo público, deixando muita gente satisfeita com o show. (Pena que , semanas depois, a casa tenha virado de cabeça para baixo. Maiores informações você pode ler nas notícias do Universo do Rock).

O Grand Finalle chegou, e em grande estilo. Talvez a verdadeira razão da maioria dos presentes estar naquele estádio já num horário tarde para quem iria trabalhar no dia seguinte (nós, por exemplo), causou um alvoroço entre os milhares de sobreviventes a árdua maratona a que foram submetidos. Novidade para muitos, realização de um sonho para muitos outros, o fato é que, apesar dos pesares, o público queria ver mesmo era o SCORPIONS. Um dos maiores dinossauros do rock finalmente se apresenta para os brasileiros.

As cerca de 40 mil pessoas gritavam: “Olê Olê Olê Olê Scorpions Scorpions”, foi quando os cinco integrantes apareceram com a pesada New Generation, do novo álbum Unbreakable. Deste CD a banda ainda tocou mais três músicas: Love ‘em Or Leave ‘em, Deep And Dark e Blood To Hot. As outras foram os clássicos: Bad Boys Running Wild, The Zoo, We’ll Burn The Sky, Coast To Coast, Holiday, Wind Of Change, Loving You Sunday Morning, Tease Me Please Me, Blackout, Hit Between The Eyes, Big City Nights, Still Loving You, Dynamite, Rock You Like A Hurricane e When The Smoke Is Going Down. Foi impressionante ver a multidão cantar todas as músicas dos veteranos que mesmo perto dos 60 anos de idade, e com 33 anos de carreira, esbanjam energia e simpatia, e sem esquecer do peso das guitarras e o vocal reconhecido mundialmente. O Scorpions mostrou que tinha que fechar o festival, pois realmente foi o melhor show juntando as mais de 10 horas de evento. Destaque para o carisma de Klaus Meine que contantemente atirava baquetas para a galera e durante os solos de guitarra tocava uma meia lua de percurssão; para a performance de palco de Rudolph Schenker, que não parava um minuto com suas Flying V´s, pulando e correndo e para Matthias Jabs com os seus solos e presença de palco.

No final do festival alguns pontos devem ser considerados e repensados pela organização: Os problemas com o som não só com as bandas brasileiras mas também com as atrações internacionais; O valor abusivo cobrado por um copo de água por exemplo (R$ 4,00 é crueldade); A venda de ingressos em shoppings, locais pouco freqüentados por bangers; e INFELIZMENTE a violência contra o público por parte de alguns seguranças que não entendem de Heavy Metal, muito menos de compaixão pelo próximo. Ponto postivo o fato da iniciativa de trazer a tona os grandes festivais ao país, visto que este festival não ficou restrito só a São Paulo, e pela qualidade das atrações contratadas. Esperamos com muita fé que este festival role por anos e anos, atraindo sempre grandes bandas para cá.




www.universodorock.com



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