 Casa
completamente tomada de serem saídos diretamente de filmes
de horror, ou de algum cemitério mais próximo, estiveram
presentes a única apresentação da banda Lacrimosa
em terras brasileiras. A cena vista ao adentrar o Olympia lembrava
os mesmos das tradicionais Raves e festas góticas realizadas
aqui em São Paulo, visto as produções de
muitos dos fãs que ali estavam para prestigiar o show.
Alguns, e principalmente algumas, mais corajoso(a)s utilizavam
alguns figurinos até, podemos dizer, extravagantes e mínimos,
visto que aquela noite dava a sensação de que seria
uma das mais frias da semana. Pareciam até saídos
diretamente de filmes como Matrix e Underworld por exemplo, ostentando
sobretudos longos e calças justas de couro, brilhantes
como da Trinity e foscos como do Morpheus, no melhor estilo sombrio,
fora alguns mais radicais que utilizavam densas maquiagens. Ou
seja, anormal ali era eu, de calça jeans, camiseta e toca.
Eis que começa o espetáculo. Mais
uma vez a iluminação e o som do Olympia estavam
perfeitos, dando para se notar isso logo na entrada da banda e
na execução dos primeiros acordes que fizeram com
que os fãs da grade, e também os bicões junto
a imprensa (leia meu manifesto logo abaixo) se descabelassem e
se desgoelassem ao ver seus ídolos máximos ao vivo
e tão de perto. O palco estava bem estruturado, com alguns
tecidos vermelhos servindo de cenário somado ao logo da
banda ao fundo e também ao órgão da vocalista
disposto mais a frente.
A banda é composta pelos headlinners Tilo
Wolff e Anne Nurmi, revezando-se nos vocais e no órgão,
e também por dois guitarristas, um baixista e um batera
servindo de apoio. Mesmo cantando em alemão, sua língua
natal, os fãs do Lacrimosa não fizeram por desmerecer
e acompanharam em todos os momentos as letras das músicas.
A banda esteve impecável em todos os momentos
do show, mostrando-se bastante competente, principalmente seus
dois vocalistas, que davam maior ênfase as músicas
fazendo gestos e movimentos como se estivesse regendo-a, mas um
fato em especial eu gostaria de comentar sobre o som do Lacrimosa.
Posso dizer que não conheço uma linha da língua
Alemã, portanto não compreendo as mensagens que
eles querem passar, mas esse fato mostrou-se não ser essencial
para a maioria dos fãs da banda, mas tenho que tecer um
comentário. Ao meu entendimento, algumas das músicas
pareciam ser compostas por um único verso, uma ou duas
linhas de mensagem, sendo que eram exaustivamente repetidas por
Mr. Wolff, parecendo até meio maçante em alguns
momentos, mas acredito que a mensagem transmitida neste único
refrão tenha o mesmo poder de uma música mais complexa,
visto a força de expressão ao declamá-la.
O Set List do show foi composto por vários
"clássicos" da banda de seus discos passados,
e somente três do mais recente álbum, "Echos",
sendo elas "Malina", "Apart " e "Durch
Nacht und Flut". Interessante ressaltar que todas as letras
da banda são canadas em Alemão, mostrando que isso
nunca foi uma barreira para esta banda que hoje se torna mais
do que referência para as bandas do estilo Gothic Metal.
Abaixo relaciono o set deste show:
Intro
Schakal
Malina
Alles Lüge
Vermächtnis der Sonne
Apart
Der Morgen danach
Halt mich
Alleine zu zweit
Seele in Not
The turning point
Kabinett der Sinne
Ich verlasse heut´ Dein Herz
Durch Nacht und Flut
Not every pain hurts
Versiegelt glanzumströmt
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Darkness
Ich bin der brennende Komet
Am Ende stehen wir zwei
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Copycat
Stolzes Herz
Ao final, depois de retornar ao palco mais duas
vezes, a banda Lacrimosa encerra seu show e despede-se de seu
público brasileiro depois de quase duas horas de apresentação.
Acredito que a grande maioria, senão a totalidade dos fãs
ali presentes, saíram muito
satisfeitos com mais um grande espetáculo gótico.
Este ano parece ser o ano mais gótico
já visto aqui no Brasil, visto o número de eventos
direcionados a este público. Talvez isso se deva pelo fato
da explosão de bandas como Nightwish e Evanescence, sendo
que esta última não pode se considerar como gótica,
visto que a batida difere do estilo, mas sua vocalista parece
beber, digerir e pagar mensalidade na mesma escola em que vocalistas
como Tarja, a própria Anne do Lacrimosa, e tantas outras
antecessoras femininas a esse boom, dão aula.
LACRIMOSA
Tilo Wolff - vocal
Anne Nurmi - teclado/vocal
Sasha Gerbig - guitarra
Jay P. - guitarra
Yenz - baixo
AC - bateria
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