Sexta-feira,
13 de julho, não foi definitivamente, um dia de
azar. Ao contrário, em pleno Dia Mundial do Rock, o projeto
“Instrumental SESC Vila Mariana” trouxe para o seu
auditório o músico Kiko Loureiro apresentando seu
segundo trabalho solo “Universo Inverso”, bem distante
de qualquer cunho “roqueiro”.
O guitarrista enveredou por uma sonoridade de conteúdo
jazzístico, repleto de experimentalismos, com influências
latinas, de samba e até mesmo baião, o que só
vem confirmar a sua versatilidade.
Neste show, assim como no Cd, foi acompanhado pelos músicos
Yaniel Matos (teclado e piano), Carlinhos Noronha (baixo) e Cuca
Teixeira (bateria).
A apresentação teve início às 20h30
com o recinto cheio e uma platéia diversificada, podendo-se
notar a significativa presença do público adolescente
que é, acima de tudo, fã do Angra, banda da qual
Kiko faz parte.
A primeira música executada foi “Feijão de
Corda”, com claros traços de baião, seguida
de “Ojos Verdes”, composição que remete
a Piazzolla.
Uma pausa, e o guitarrista apresenta os músicos antes de
começar “Anastácia”, e aqui o brilho
individual e a qualidade técnica de cada um tornam-se ainda
mais nítidos.
Segue-se
“Havana”, uma peça vibrante, bem fusion e ao
término desta, deixam o palco Cuca e Carlinhos Noronha.
Loureiro permanece e, sentado, só com um violão,
toca “Choro de Criança”, música do seu
primeiro Cd solo “No Gravity”, esbanjando técnica
e emoção, um “aperitivo” para “Recuerdos”
em que se faz acompanhar por Yaniel (não mais ao teclado,
mas sim ao piano); canção pungente, quase um lamento
em que Kiko passeia pelas cordas do violão extraindo delas
enorme melancolia, num perfeito diálogo com o piano, um
trabalho virtuoso.
Todo grupo volta ao palco e Kiko introduz o jazzman
Alexandre Mihanovich para acompanhá-lo na guitarra, primeiro
num complexo improviso e depois num blues nada tradicional em
que a técnica está, acima de tudo, a serviço
da criatividade.
Encerrada a maravilhosa participação de Alexandre
Mihanovich, o show caminha para o seu final com “Samba da
Elisa” e “Camino a Casa”.
Tive o privilégio de ver este mesmo grupo, no show de lançamento
do Cd do guitarrista em dezembro de 2006 e hoje o enorme entrosamento
de todos pareceu-me ainda maior, como se fosse possível
melhorar um trabalho que já era irrepreensível.
Yaniel
abusou das teclas como se fossem um brinquedo; Cuca, como sempre,
um “arrasa-quarteirão”, verdadeira escola de
samba de um homem só; Noronha foi nada menos que brilhante
e Kiko, inspiradíssimo, provou estar liberto das amarras
de um estilo que o consagrou e que a ousadia de buscar novos rumos
valeu a pena.
Foi uma sexta-feira 13 de muita sorte!
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