Fazia
bastante frio no sábado, 28 de abril, em São Paulo,
e era dia de conferir o “Acoustic/Electric Tull Concerts”
do grupo Jethro Tull. A banda formada na Inglaterra há
39 anos manteve-se sob o comando de Ian Anderson (gaita, violão,
flauta, bandolim e vocais), embora tenha mudado sua formação
ao longo dos anos. Para esta turnê ele veio acompanhado
de Martin Barre (guitarra), o segundo integrante mais antigo,
Doane Perry (bateria), John O'Hara (teclado) e David Goodier (baixo),
além de Ann Marie Calhoun, como convidada, ao violino.
A casa estava cheia e o público era bastante variado, desde
casais maduros, pais com seus filhos, até jovens adolescentes.
Exatamente às 22h18 teve início o espetáculo,
precedido de um pedido de Anderson para que o público não
fizesse barulho, para apreciar melhor o show eletroacústico,
e não fumasse, pois isso poderia prejudicar a performance
dos artistas - fazendo jus à sua fama de perfeccionista.
Não é preciso dizer que o público reagiu
da maneira mais ruidosa possível a essa sugestão.
Anderson e Barre começam o show com o
blues "Someday The Sun Won't Shine For You" apenas com
a voz, gaita e violão. Segue-se "Living In The Past",
agora já com todos os componentes presentes. Cada canção
foi antecedida por uma explicação do flautista sobre
a mesma. Interessante ressaltar que a cada vez que Ian ou Barre
se aproximavam da beirada do palco o público gritava entusiasticamente,
como se algum jovem astro do rock estivesse fazendo uma performance
e não dois velhos senhores, com anos de estrada. Manifestação
movida, sem dúvida, pela alegria e emoção
com a presença de dois mitos. E o menestrel do progressivo
não deixa por menos: rodopia, cruza uma perna sobre a outra
(sua marca característica), vibra os dedos no ar e explora
sua flauta como um virtuose.
Na canção "Pastime With Good Company"
entra em cena aquela que seria mais uma grata surpresa da noite,
a violinista Ann Marie, que além de bela, mostrou ser excepcional
musicista e portadora de grande simpatia e carisma.
Mesmo dona
de enorme repertório a banda agraciou o público
com alguns dos seus maiores sucessos como "Thick As A Brick",
"Bourée", "Sweet Dreams" e "Aqualung",
esta última em um novo arranjo, muito peculiar e vigoroso,
mostrando não temer inovações e nem ter compromisso
com os saudosistas de plantão.
Numa homenagem ao maestro Leonard Bernstein, trouxeram uma versão
de América (tema do filme "West Side Story")
contendo um medley de outros clássicos da música
norte-americana como "Maria" e "Somewhere Over
The Rainbow", entre outros.
Som perfeito, cristalino, redondo, artistas sólidos de
qualidade inquestionável e surpreendente vitalidade, arrojados,
mas não levianos. Harmonia levada às últimas
conseqüências.
Fecham a noite em alto estilo com "Budapest" e depois
de fortemente ovacionados retornam para um bis emocionante com
"Locomotive Breath". Mais do que um presente para os
fãs de rock progressivo, uma aula para os apreciadores
de boa música. Sem dúvida uma extraordinária
apresentação.
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