Hordas
de meninas à espera do espetáculo. High School Music.
Madonna & Britney. Quartos de paredes em tom pastel. Hillary
Duff e seu conjuntinho brilhoso de blusinha-shortinho, sapato
de salto alto, trejeitos, poses, caras e bocas próprios
de um ídolo pop conhecido no mundo todo e que possui um
veículo que o leve a muitos lares e faça dele parte
da vida de todas as meninas que gritam à beira do palco,
como se estivessem a um palmo de uma outra realidade, algo que
nem sabem direito o que seja. Mal sabem elas que sim, lá
em cima, tão perto e tão longe, é outro mundo,
pré-fabricado, mas diferente do que se vê por aqui,
digamos que o que vem do Norte é mais bem acabado, ou camuflado.
O Show em si é animado (óbvio),
mas digo isso, porque até eu achei alguns momentos bem
feitos, mas isso já se insere na longa tradição
americana do * showbusiness*, ou seja, elas fazem shows dessa
maneira mesmo, não é mérito algum da Hillary
Duff, de seus dançarinos (que são muito bons)
ou da banda de apoio, competente.
Porém, o grande espetáculo são
as meninas, pré-adolescentes, outrora fãs da Xuxa
(inevitável lembrança),e a sua devoção
por Hillary que tem seus atributos: é loira, é
bonita. Loira. Simpática. Loira. Carismática.
Loira.
Talentosa e loira. Na sua frente, vindo da platéia, um
mar de braços erguidos com telas coloridas na ponta e
*flashes* espocando numa onda de luzes como se um enxame de
vaga-lumes invadisse o lugar, a noite...o mundo.
Lyzzie Mcguire, ops!, Hillary Duff não
compromete, segue a cartilha pop direitinho, conversa com o
público, distribui sorrisos e faz aquela cara 'eu-realmente-não-sei-por
que-vocês-me-adoram-tanto', dá seus passinhos de
dança, faz o tipo tímida-sensual, canta o seu
*hit* 'Wake up" que enlouqueceu ainda mais quem já
estava fora de si e acelerou o que a natureza demoraria uns
três anos pra conseguir: modificar as vozes daquelas garotinhas,
com toda aquela gritaria por elas proporcionada. O álbum
"Dignity" aparece em vários momentos do show,
e, sempre que pode, Lizzy*......ops!
I did it again*, Hillary Duff troca o modelito, sempre algo
curto e brilhante. Coisa de menina. Após tantas canções
dançantes, baladas e sorrisos de agradecimento, Hillary
despede-se, e sai saltitando do palco, volta para o lugar mágico
de onde veio, devem pensar as meninas, ou sou eu, lúdico
ao extremo, que vê num simples show a beleza e a pureza
dessas criaturas que adoram outra criatura que pouco tem que
ver entre si, e mal sabem elas, que a própria Hillary
deve querer trocar de lugar com suas fãs, nem que seja
por alguns segundos. Essa é a magia, esse é o
poder da música e, por isso ela, a música, é
tão necessária em nossas vidas. Mesmo que seja
para andar de limusine em pleno dia da semana.