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Hellion Records
 Matéria

14/08/2007
2ª Edição do Heavy in Metal Fest
Texto e fotos: Fábio
 
A segunda edição do Heavy in Metal Fest, festival anual de bandas nacionais do estilo, seria uma boa forma do público poder assistir a shows de bandas de repercussão no cenário brasileiro de música pesada, assim como uma oportunidade de várias bandas de estados diferentes apresentarem seu trabalho com grande qualidade de estrutura. Porém, parece que esse ano o público não teve muito interesse em prestar essa homenagem a algumas bandas que percorrem o underground nacional há anos. Seja por estar em época de férias, seja por um ingresso com preço um pouco elevado, apesar de ser facilmente justificado pela ótima estrutura encontrada no evento, bandas antigas como Torture Squad e Silent Cry tiveram que compartilhar o pequeno público presente com bandas mais atuais como Vougan e Drama ID.

VEJA AQUI AS FOTOS DO FESTIVAL

Com uma hora de atraso, a banda que abriu os shows da noite foi a belorizontina Paradise In Flames, que teve seu set iniciado ainda com o público entrando na casa de shows. O Black Metal bastante trabalhado do quarteto já serviu para levantar o público, que mesmo em pequeno número parecia estar sedento por músicas pesadas, rápidas e insanas como foi o show deles. O set começou com Everlasting Scars, seguida de Empty Feeling, com destaque para a música presente na primeira demo da banda, Devil From The Sky. Um show não muito longo, mas que serviu pelo menos de aquecimento para a banda que sairia logo em turnê pelo país, fazendo shows com o Krisiun e também participando do festival Forcaos, em Fortaleza/CE.

A segunda banda a entrar no palco foi a brasiliense Vougan, e seu Heavy Metal com algumas pitadas de progressivo. Iniciaram o set com Silent Souls, que logo impressionou ao chegar na parte dos vocais, demonstrando bastante habilidade por parte do vocalista Izack Salvatierra. O público que estaria esperando por Tribuzzy e Hibria não se decepcionou com a banda, que me surpreendeu na terceira música do show, chamada Ghosts, com seu início soturno e vocais mais graves, lembrando bastante o Dark Tranquility no álbum Projector. Ponto positivo para a banda, que soube colocar novidades em um estilo tão saturado quanto o Heavy Metal/Melódico/Progressivo da atualidade.

Drama ID tinha tudo para ser uma banda deslocada em meio ao Death Metal, Black Metal, ou Metal tradicional executado por diversas bandas na noite, mas não foi o que aconteceu. Uma ótima idéia da produção foi colocar uma banda diferente e inovadora como essa em um evento tradicional, pois serve tanto para mostrar o que há de novo no cenário, assim como tentar abrir um pouco a mente do público brasileiro, que talvez não tenha aprendido, assim como os europeus, a curtir sons diferentes e novidades no cenário, querendo sempre ouvir cópias das bandas originais. O quarteto paulista executa um rock and roll moderno e original. Ótimos músicos, boa presença de palco, qualidade sonora e um ótimo vocal executado transformaram a banda na surpresa da noite. Abriram o set com Evil Diva, seguida de Forbidden Passion e a ótima Sadique, que foi a música que mais se destacou em seu show. Em alguns momentos a banda me lembrou o The Cult dos anos 90, mas não representa uma definição para o som deles, que encerra-se muito mais abrangente.

Com anos de estrada e vários álbuns lançados, a banda mais importante do Gothic Metal nacional não teve muita sorte na noite. O Silent Cry entrou no palco para se apresentar após uma demorada passagem de som, e tudo parecia correr bem ao tocarem My Tears are Still Falling, quando alguns problemas no som atrapalharam a execução. Tentaram continuar o show com Eclipse e The end of Innocence, mas parecia que não era para acontecer, e a pele do bumbo da bateria rasgou fazendo com que a banda tivesse que encerrar seu set com dois covers. A platéia vibrou com The Wicker Man do Iron Maiden e Holly Diver do Dio. Mesmo assim o show serviu para mostrar a excelente vocalista Fabila Tozi, que substituiu Sandra Felix, uma ótima escolha da banda.

Os gaúchos do Hibria fariam o show que seria a grande apresentação da noite, mesmo com a maioria notável que esperava pelo Torture Squad, foi impossível deixar de se empolgar com o show dessa cada vez mais importante banda do Heavy Metal nacional. A excelente presença de palco e o carisma do vocalista Iuri Sanson são proporcionais à sua qualidade como cantor, fora a destreza de seus vocais agudos e rasgados unida aos grades hinos entoados em suas músicas. Abriram o show com a música Steel Lord of wheels, que faz parte do single homônimo de 2001. Foi um set longo para um festival, oito músicas. Passando por Millennium Quest, a ótima Living Under Ice e finalizando com Defying the Rules, que foi cantada pela platéia presente, como parte de uma brincadeira da banda com o público. Agora seria um grande trabalho para o Tribuzzy conseguir levantar a platéia, que estava entre a empolgação do Hibria e a espera pelo Torture Squad.

Participando pela segunda vez do Heavy in Metal Fest, Tribuzzy cumpriu bem seu papel. Músicos bem ensaiados, vocais bem feitos e profissionalismo. Foi também um set longo, pois já seria uma das grandes atrações da noite. Iniciaram com Execution, música que deu nome ao debut da banda, passando por várias do mesmo. O vocalista Renato fez questão de enfatizar as participações que foram feitas em cada uma delas, algo do tipo: “essa música eu fiz com meu grande ídolo...”, ou “essa música foi feita e cedida por...” e por aí vai. Um show que teria sido mais aproveitado não fosse estar tocando entre duas bandas que empolgaram muito o público.

O que falar do Torture Squad? São 15 anos de banda, 5 álbuns lançados, além de um DVD. Percorrer o underground antes de alçar vôos maiores parece ser sempre a melhor escolha para as bandas de Heavy Metal. A banda que todos queriam assistir na noite já entrou destruindo: Chaos Corporation, Mad Illusions, Towers On Fire e Leather Apron iniciaram o set, que foi paralisado apenas para o vocalista Vitor Rodrigues perguntar se o público estava cansado, que obviamente respondeu que não. Logo veio a resposta de Vitor dizendo que estavam apenas começando. The Host, Murder Of A God, Come To Torture e The Beast Within continuaram a batalha, que terminaria com as excelentes The Unholy Spell, Horror And Torture e Pandemonium. O único ponto negativo da apresentação da banda paulista foi o fato de no início a guitarra estar mais baixa que os outros instrumentos, o que foi resolvido logo depois e aí sim o show foi completo. A banda, que tocará no festival alemão Wacken Open Air no próximo dia 3 de agosto, demonstrou muita empolgação durante o show, respondendo a um público pequeno, porém funcional.





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