 A
segunda edição do Heavy in Metal Fest, festival
anual de bandas nacionais do estilo, seria uma boa forma do público
poder assistir a shows de bandas de repercussão no cenário
brasileiro de música pesada, assim como uma oportunidade
de várias bandas de estados diferentes apresentarem seu
trabalho com grande qualidade de estrutura. Porém, parece
que esse ano o público não teve muito interesse
em prestar essa homenagem a algumas bandas que percorrem o underground
nacional há anos. Seja por estar em época de férias,
seja por um ingresso com preço um pouco elevado, apesar
de ser facilmente justificado pela ótima estrutura encontrada
no evento, bandas antigas como Torture Squad e Silent Cry tiveram
que compartilhar o pequeno público presente com bandas
mais atuais como Vougan e Drama ID.
Com uma hora de atraso, a banda que abriu os
shows da noite foi a belorizontina Paradise In Flames, que teve
seu set iniciado ainda com o público entrando na casa de
shows. O Black Metal bastante trabalhado do quarteto já
serviu para levantar o público, que mesmo em pequeno número
parecia estar sedento por músicas pesadas, rápidas
e insanas como foi o show deles. O set começou com Everlasting
Scars, seguida de Empty Feeling, com destaque para a música
presente na primeira demo da banda, Devil From The Sky. Um show
não muito longo, mas que serviu pelo menos de aquecimento
para a banda que sairia logo em turnê pelo país,
fazendo shows com o Krisiun e também participando do festival
Forcaos, em Fortaleza/CE.
A segunda banda a entrar no palco foi a brasiliense
Vougan, e seu Heavy Metal com algumas pitadas de progressivo.
Iniciaram o set com Silent Souls, que logo impressionou ao chegar
na parte dos vocais, demonstrando bastante habilidade por parte
do vocalista Izack Salvatierra. O público que estaria esperando
por Tribuzzy e Hibria não se decepcionou com a banda, que
me surpreendeu na terceira música do show, chamada Ghosts,
com seu início soturno e vocais mais graves, lembrando
bastante o Dark Tranquility no álbum Projector. Ponto positivo
para a banda, que soube colocar novidades em um estilo tão
saturado quanto o Heavy Metal/Melódico/Progressivo da atualidade.
Drama ID tinha tudo para ser uma banda deslocada
em meio ao Death Metal, Black Metal, ou Metal tradicional executado
por diversas bandas na noite, mas não foi o que aconteceu.
Uma ótima idéia da produção foi colocar
uma banda diferente e inovadora como essa em um evento tradicional,
pois serve tanto para mostrar o que há de novo no cenário,
assim como tentar abrir um pouco a mente do público brasileiro,
que talvez não tenha aprendido, assim como os europeus,
a curtir sons diferentes e novidades no cenário, querendo
sempre ouvir cópias das bandas originais. O quarteto paulista
executa um rock and roll moderno e original. Ótimos músicos,
boa presença de palco, qualidade sonora e um ótimo
vocal executado transformaram a banda na surpresa da noite. Abriram
o set com Evil Diva, seguida de Forbidden Passion e a ótima
Sadique, que foi a música que mais se destacou em seu show.
Em alguns momentos a banda me lembrou o The Cult dos anos 90,
mas não representa uma definição para o som
deles, que encerra-se muito mais abrangente.
Com anos de estrada e vários álbuns lançados,
a banda mais importante do Gothic Metal nacional não teve
muita sorte na noite. O Silent Cry entrou no palco para se apresentar
após uma demorada passagem de som, e tudo parecia correr
bem ao tocarem My Tears are Still Falling, quando alguns problemas
no som atrapalharam a execução. Tentaram continuar
o show com Eclipse e The end of Innocence, mas parecia que não
era para acontecer, e a pele do bumbo da bateria rasgou fazendo
com que a banda tivesse que encerrar seu set com dois covers.
A platéia vibrou com The Wicker Man do Iron Maiden e Holly
Diver do Dio. Mesmo assim o show serviu para mostrar a excelente
vocalista Fabila Tozi, que substituiu Sandra Felix, uma ótima
escolha da banda.
Os gaúchos do Hibria fariam o show que
seria a grande apresentação da noite, mesmo com
a maioria notável que esperava pelo Torture Squad, foi
impossível deixar de se empolgar com o show dessa cada
vez mais importante banda do Heavy Metal nacional. A excelente
presença de palco e o carisma do vocalista Iuri Sanson
são proporcionais à sua qualidade como cantor, fora
a destreza de seus vocais agudos e rasgados unida aos grades hinos
entoados em suas músicas. Abriram o show com a música
Steel Lord of wheels, que faz parte do single homônimo de
2001. Foi um set longo para um festival, oito músicas.
Passando por Millennium Quest, a ótima Living Under Ice
e finalizando com Defying the Rules, que foi cantada pela platéia
presente, como parte de uma brincadeira da banda com o público.
Agora seria um grande trabalho para o Tribuzzy conseguir levantar
a platéia, que estava entre a empolgação
do Hibria e a espera pelo Torture Squad.
Participando pela segunda vez do Heavy in Metal
Fest, Tribuzzy cumpriu bem seu papel. Músicos bem ensaiados,
vocais bem feitos e profissionalismo. Foi também um set
longo, pois já seria uma das grandes atrações
da noite. Iniciaram com Execution, música que deu nome
ao debut da banda, passando por várias do mesmo. O vocalista
Renato fez questão de enfatizar as participações
que foram feitas em cada uma delas, algo do tipo: “essa
música eu fiz com meu grande ídolo...”, ou
“essa música foi feita e cedida por...” e por
aí vai. Um show que teria sido mais aproveitado não
fosse estar tocando entre duas bandas que empolgaram muito o público.
O que falar do Torture Squad? São 15 anos
de banda, 5 álbuns lançados, além de um DVD.
Percorrer o underground antes de alçar vôos maiores
parece ser sempre a melhor escolha para as bandas de Heavy Metal.
A banda que todos queriam assistir na noite já entrou destruindo:
Chaos Corporation, Mad Illusions, Towers On Fire e Leather Apron
iniciaram o set, que foi paralisado apenas para o vocalista Vitor
Rodrigues perguntar se o público estava cansado, que obviamente
respondeu que não. Logo veio a resposta de Vitor dizendo
que estavam apenas começando. The Host, Murder Of A God,
Come To Torture e The Beast Within continuaram a batalha, que
terminaria com as excelentes The Unholy Spell, Horror And Torture
e Pandemonium. O único ponto negativo da apresentação
da banda paulista foi o fato de no início a guitarra estar
mais baixa que os outros instrumentos, o que foi resolvido logo
depois e aí sim o show foi completo. A banda, que tocará
no festival alemão Wacken Open Air no próximo dia
3 de agosto, demonstrou muita empolgação durante
o show, respondendo a um público pequeno, porém
funcional.
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