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Hellion Records
 Matéria

abril/2008
Hard in Rio no Circo Voador. Uma noite de hardrock.
Texto:Maila Kaarina
Fotos: Diego Padilha (www.flickr.com/diegopadilha)
 


Realizada no último sábado, dia 26 de abril, no Rio de Janeiro, a segunda edição do festival Hard in Rio, que anteriormente contou com TED POLEY e FIREHOUSE, desta vez teve em seu line-up HOUSE OF LORDS, TYKETTO e WHITE LION.

Assim como na primeira edição, o local escolhido para a realização do evento foi o tradicional Circo Voador e os responsáveis pelo evento, a já conhecida ATITUDE PRODUÇÕES de Rodrigo Scelza e Cia.

A equipe de produção do Hard in Rio foi extremamente competente, pois não houve confusão na entrada, o atraso do evento foi mínimo e o som e a iluminação dos três shows estavam impecáveis.

Às 22:50 a HOUSE OF LORDS subiu ao palco de um Circo Voador ainda meio vazio para fazer um show extremamente competente, apesar de um pouco longo. Eu não conhecia bem o trabalho da banda e gostei muito do som deles. Um Hard Rock com influências de Heavy Metal e AOR, bem virtuoso. Com um visual totalmente “mãe gordinha”, com direito a uma escova nos cabelos que deixava suas pontas viradinhas estilo “Chanel” (devo admitir que o visual do cara é meio esdrúxulo), o vocalista James Christian, único membro original da banda, mandou muito! Deixemos de lado a aparência. O vocal do cara é muito bom e não se perde por nenhum momento sequer. Sorridente e simpático ele fez questão de cumprimentar a todos que estendiam as mãos em sua direção.

A mim a banda surpreendeu muito mesmo usando teclados e backing vocals pré-gravados. O guitarrista Jimy Bell, com seu visual a lá Black Sabbath cheio de cruzes brilhantes na correia da guitarra e todo de preto, deu um show e o baixista Mathew Mckkena, além de muito simpático esbanjou presença da primeira a última música.

O baterista B.J. Zampa, apesar de não ser muito expressivo é um músico técnico e experiente e também mandou muito bem.

Eu faria apenas uma ressalva ao show do HOUSE OF LORDS. Ressalva que no entanto se aplicaria a qualquer banda em minha opinião. Solo de bateria já não é uma coisa que a maioria do público curte. Se a banda em questão for à primeira do line-up do evento e ainda por cima a mais desconhecida, creio que é ainda mais desnecessário. Acho que isso acrescentou um tempo ao show que desanimou um pouco o público.

Mas devo dizer para não parecer injusta, que o solo foi bom e teve um diferencial: foi tocado em cima de uma base de teclado muito bem feita que deu um clima diferente ao momento. Ficou mais musical.
Sem dúvida a HOUSE OF LORDS agradou ao público que ficou atento ao show do começo ao fim.

A segunda banda da noite, a TYKETTO, foi em minha opinião a melhor. Deixando de lado o fato deu ser fã assumida, eu esperava gostar do show, claro, mas não achei que seria tão bom. Sei que os integrantes vivem longe uns dos outros e que tocam juntos apenas alguns shows por ano. Eles não ensaiaram para o evento e por conta disso eu não esperava ver uma banda super entrosada, coesa, fazendo um show cheio de energia e impecável, como se tocasse e ensaiasse toda semana. Foi isso exatamente que eles mostraram no palco.

Danny Vaughn continua cantando impecavelmente, esbanja presença de palco e simpatia. Brooke mostrou que realmente é um excelente guitarrista, fez solos ótimos, tocou com pressão e não parou por um minuto sequer, o baixista Jimmy Kennedy, apesar do visual EMO (em uma conversa que tivemos ele assumiu adorar o estilo e ainda me chamou de “old school girl”, isso levando em conta que ele é 10 anos mais velho eu, risos), meio introspectivo no palco, também é um ótimo músico. O baterista e líder da banda, Michael Clayton Arbeeny também mandou muito bem. Todos eles estavam ótimos!

Bons músicos que estavam se divertindo junto com o público, tocando com vontade, competência e em excelente forma. Dois momentos auge do show e acredito que esperadamente, foram as baladas STANDING ALONE, com direito a corinho do público e braços ao alto e o hit da banda, que também encerrou o show, FOREVER YOUNG. O show foi tão bom que passou rápido e olha que não foi curto. Eles tocaram todas as músicas do álbum de estréia DON´T COME EASY, que em minha opinião é o melhor dos 3, além de músicas do STRENGTH IN NUMBERS e uma inédita, TILL THE SUMMER COMES, que está no álbum mais recente da banda, THE LAST SUNSET: FAREWELL 2007.

Foi um show completo e empolgante que agradou demais. Várias pessoas que não conheciam a banda vieram comentar comigo que se impressionaram com o show. Foi além das expectativas.

Outro ponto forte do show do TYKETTO foi o horário em que tocaram. O melhor da noite, no período em que a casa estava mais cheia e o público mais sedento.

A última banda da noite foi a WHITE LION que para mim foi o oposto das duas primeiras. Enquanto eu fui surpreendida por um HOUSE OF LORDS impecável e por um TYKETTO infinitamente melhor do que eu esperava, no show do WHITE LION eu me sentei e fiquei com tanto sono que fui embora antes do final.

Não quero parecer injusta com a banda que teve seu mérito no passado, apesar de jamais ter feito a minha cabeça, mas não foi esse o problema do show para mim. Eu realmente não gostei dos músicos. Só Mike Tramp pertencia a banda original e todos os músicos que o acompanharam são desconhecidos e bem jovens. Não que isso seja um problema, claro, mas não os achei bons. Achei a banda formada por Jamie Law (guitarra), Klaus Langeskov (baixo), Henning Wanner (teclado), Troy Farrel (bateria) e claro, Mike Tramp nos vocais, extremamente fraca e muito aquém das outras duas.

Tudo soava sem pressão e não havia nenhum entrosamento. Mesmo levando em conta que eles não puderam ensaiar, que um mora na Austrália, outro na Alemanha e etc, eu não encaro isso como desculpa para fazer um show sem punch. Vide o TYKETTO, que está na mesma situação e tem dois membros que nem de música vivem mais.

Uma banda formada por músicos full time tem que mostrar muito mais competência. Achei bem fraco mesmo. Sobre o Mike Tramp eu não quero nem falar muito porque o cara é queridinho de várias pessoas e sei que muitos vão ler esta resenha e me xingar de todos os nomes possíveis, mas sinceramente. Não canta absolutamente nada.

Respeito os fãs da White Lion, pois a banda fez parte de um momento sem dúvida nostálgico do qual o vocalista é um dos representantes, mas eu, particularmente, achei ruim demais. Bem pior do que eu esperava.
Mas enfim, o que importa mesmo é que esses shows aconteceram, que tudo deu muito certo e que o público adorou.

Mais uma vez tivemos no Rio de Janeiro um evento alto-nível. Um evento muito bem realizado e selecionado.

Espero que o Hard in Rio tenha um espaço cada vez maior nesta cidade, que o público aprenda a valorizar isso cada vez mais e a prestigiar os eventos. Que mais bandas venham e que o cenário possa ser cada vez mais representativo.
É isso aí!
STAY ROCK!





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