Realizada
no último sábado, dia 26 de abril, no Rio de Janeiro,
a segunda edição do festival Hard in Rio, que anteriormente
contou com TED POLEY e FIREHOUSE,
desta vez teve em seu line-up HOUSE OF LORDS,
TYKETTO e WHITE LION.
Assim como na primeira edição, o local escolhido
para a realização do evento foi o tradicional Circo
Voador e os responsáveis pelo evento, a já conhecida
ATITUDE PRODUÇÕES de Rodrigo Scelza
e Cia.
A equipe de produção do Hard in Rio foi extremamente
competente, pois não houve confusão na entrada,
o atraso do evento foi mínimo e o som e a iluminação
dos três shows estavam impecáveis.
Às
22:50 a HOUSE OF LORDS subiu ao palco de um Circo
Voador ainda meio vazio para fazer um show extremamente competente,
apesar de um pouco longo. Eu não conhecia bem o trabalho
da banda e gostei muito do som deles. Um Hard Rock com influências
de Heavy Metal e AOR, bem virtuoso. Com um visual totalmente “mãe
gordinha”, com direito a uma escova nos cabelos que deixava
suas pontas viradinhas estilo “Chanel” (devo admitir
que o visual do cara é meio esdrúxulo), o vocalista
James Christian, único membro original da banda, mandou
muito! Deixemos de lado a aparência. O vocal do cara é
muito bom e não se perde por nenhum momento sequer. Sorridente
e simpático ele fez questão de cumprimentar a todos
que estendiam as mãos em sua direção.
A mim a banda surpreendeu muito mesmo usando teclados e backing
vocals pré-gravados. O guitarrista Jimy Bell, com seu visual
a lá Black Sabbath cheio de cruzes brilhantes na correia
da guitarra e todo de preto, deu um show e o baixista Mathew Mckkena,
além de muito simpático esbanjou presença
da primeira a última música.
O
baterista B.J. Zampa, apesar de não ser muito expressivo
é um músico técnico e experiente e também
mandou muito bem.
Eu faria apenas uma ressalva ao show do HOUSE OF LORDS.
Ressalva que no entanto se aplicaria a qualquer banda em minha
opinião. Solo de bateria já não é
uma coisa que a maioria do público curte. Se a banda em
questão for à primeira do line-up do evento e ainda
por cima a mais desconhecida, creio que é ainda mais desnecessário.
Acho que isso acrescentou um tempo ao show que desanimou um pouco
o público.
Mas devo dizer para não parecer injusta, que o solo foi
bom e teve um diferencial: foi tocado em cima de uma base de teclado
muito bem feita que deu um clima diferente ao momento. Ficou mais
musical.
Sem dúvida a HOUSE OF LORDS agradou ao
público que ficou atento ao show do começo ao fim.
A
segunda banda da noite, a TYKETTO, foi em minha
opinião a melhor. Deixando de lado o fato deu ser fã
assumida, eu esperava gostar do show, claro, mas não achei
que seria tão bom. Sei que os integrantes vivem longe uns
dos outros e que tocam juntos apenas alguns shows por ano. Eles
não ensaiaram para o evento e por conta disso eu não
esperava ver uma banda super entrosada, coesa, fazendo um show
cheio de energia e impecável, como se tocasse e ensaiasse
toda semana. Foi isso exatamente que eles mostraram no palco.
Danny Vaughn continua cantando impecavelmente, esbanja presença
de palco e simpatia. Brooke mostrou que realmente é um
excelente guitarrista, fez solos ótimos, tocou com pressão
e não parou por um minuto sequer, o baixista Jimmy Kennedy,
apesar do visual EMO (em uma conversa que tivemos
ele assumiu adorar o estilo e ainda me chamou de “old school
girl”, isso levando em conta que ele é 10 anos mais
velho eu, risos), meio introspectivo no palco, também é
um ótimo músico. O baterista e líder da banda,
Michael Clayton Arbeeny também mandou muito bem. Todos
eles estavam ótimos!
Bons
músicos que estavam se divertindo junto com o público,
tocando com vontade, competência e em excelente forma. Dois
momentos auge do show e acredito que esperadamente, foram as baladas
STANDING ALONE, com direito a corinho do público
e braços ao alto e o hit da banda, que também encerrou
o show, FOREVER YOUNG. O show foi tão bom que
passou rápido e olha que não foi curto. Eles tocaram
todas as músicas do álbum de estréia DON´T
COME EASY, que em minha opinião é o melhor
dos 3, além de músicas do STRENGTH IN NUMBERS
e uma inédita, TILL THE SUMMER COMES, que está
no álbum mais recente da banda, THE LAST SUNSET: FAREWELL
2007.
Foi um show completo e empolgante que agradou demais. Várias
pessoas que não conheciam a banda vieram comentar comigo
que se impressionaram com o show. Foi além das expectativas.
Outro ponto forte do show do TYKETTO foi o horário
em que tocaram. O melhor da noite, no período em que a
casa estava mais cheia e o público mais sedento.
A
última banda da noite foi a WHITE LION
que para mim foi o oposto das duas primeiras. Enquanto eu fui
surpreendida por um HOUSE OF LORDS impecável
e por um TYKETTO infinitamente melhor do que
eu esperava, no show do WHITE LION eu me sentei
e fiquei com tanto sono que fui embora antes do final.
Não quero parecer injusta com a banda que teve seu mérito
no passado, apesar de jamais ter feito a minha cabeça,
mas não foi esse o problema do show para mim. Eu realmente
não gostei dos músicos. Só Mike Tramp pertencia
a banda original e todos os músicos que o acompanharam
são desconhecidos e bem jovens. Não que isso seja
um problema, claro, mas não os achei bons. Achei a banda
formada por Jamie Law (guitarra), Klaus Langeskov (baixo), Henning
Wanner (teclado), Troy Farrel (bateria) e claro, Mike Tramp nos
vocais, extremamente fraca e muito aquém das outras duas.
Tudo soava sem pressão e não havia nenhum entrosamento.
Mesmo levando em conta que eles não puderam ensaiar, que
um mora na Austrália, outro na Alemanha e etc, eu não
encaro isso como desculpa para fazer um show sem punch. Vide o
TYKETTO, que está na mesma situação
e tem dois membros que nem de música vivem mais.
Uma banda formada por músicos full time tem que mostrar
muito mais competência. Achei bem fraco mesmo. Sobre o Mike
Tramp eu não quero nem falar muito porque o cara é
queridinho de várias pessoas e sei que muitos vão
ler esta resenha e me xingar de todos os nomes possíveis,
mas sinceramente. Não canta absolutamente nada.
Respeito os fãs da White Lion, pois a
banda fez parte de um momento sem dúvida nostálgico
do qual o vocalista é um dos representantes, mas eu, particularmente,
achei ruim demais. Bem pior do que eu esperava.
Mas enfim, o que importa mesmo é que esses shows aconteceram,
que tudo deu muito certo e que o público adorou.
Mais uma vez tivemos no Rio de Janeiro um evento alto-nível.
Um evento muito bem realizado e selecionado.
Espero que o Hard in Rio tenha um espaço cada vez maior
nesta cidade, que o público aprenda a valorizar isso cada
vez mais e a prestigiar os eventos. Que mais bandas venham e que
o cenário possa ser cada vez mais representativo.
É isso aí!
STAY ROCK! |