Quarta-feira,
25 de abril, noite bonita e quente em São Paulo, mas, no
meio da semana... Eu fico me perguntando porque, cargas d’água,
alguém resolve promover um show internacional num dia tão
ingrato em que, supostamente, a maioria dos mortais precisa trabalhar
cedo no dia seguinte? Razões que desconheço.
Apesar disso, e contra todos os prognósticos, o Blackmore
Rock Bar estava atulhado de gente para assistir ao vocalista Eric
Martin, o eterno ex-Mr. Big. O evento estava programado para começar
às 22h00, mas apenas às 23h15 subiu ao palco a banda
de abertura a paulistana TEMPESTT, formada por BJ (vocal), Leo Mancini
(guitarra), Edu Cominato (bateria) e Paulo Soza (baixo), contando
aqui com a participação do tecladista João
Leopoldo.
Com um Cd recém-lançado e intitulado “Bring’
Em On” o grupo fez uma participação com sete
músicas, alguns covers, “In My Dreams With You”
de Steve Vai, “Into Another” do Skid Row e “Stand
Up” de Steel Dragon, e outras próprias como a que dá
título ao álbum, ou ainda “Faked By Time”,
a balada “A Life’s Álibi” e “Insanity
Desire” (esta, gravada originalmente com a participação
de Jeff Scott Soto).
Apresentação segura e empolgante,
músicos bem entrosados, o grupo de hard/heavy mostrou muita
personalidade e agradou bastante. Uma prova que São Paulo
continua sendo um terreno fértil para o surgimento de boas
bandas de rock’n roll.
Um
breve intervalo e o público se inquieta. Quem pagou para
ver a apresentação ganhou, de quebra, uma sauna
das mais poderosas. Esse seria um show literalmente quente. Passava
da meia noite, quando o astro principal, Eric Martin apareceu
no palco com os músicos de apoio Matt Isola (bateria),
Mark Chole (baixo) e Mark Holley (guitarra), todos suando em bicas
e o início se dá com “Daddy, Brother, Lover,
Little Boy”, um dos sucessos do Mr. Big.
Sem parar um minuto, indo de lá pra cá
no pequeno palco, gesticulando e brincando com o público,
Eric mostrou-se extremamente simpático. Jeitão de
criança crescida, calça jeans com uma corrente pendurada
e, pasmem, camisa de manga longa, usava toalhas para se enxugar
e com elas abanava a platéia. Apontava o tempo todo para
o ar condicionado, mas a ajuda não veio.
E eis que o inusitado acontece: com os fãs
pedindo insistentemente que ele cante sucessos da ex-banda como
“Colorado Buldog”, mostra-se bastante desconcertado
e dá a entender que não lembra ou não sabe
tocar aquelas canções.
Ensaia cantar a música “Shine” e apesar de
maciçamente acompanhado pela platéia, pára
na metade e faz o mesmo algumas vezes, com outras canções.
Ok, ele não estava acompanhado por Billy Sheehan, nem por
Paul Gilbert, ou mesmo Richie Kotzen, mas será que ele
não imaginava que a maioria foi vê-lo cantar velhos
sucessos e não músicas da carreira solo? Erro grave
e imperdoável de estratégia que fica claro quando
o público delira com “Green Tinted Sixties Mind”
ou na balada “Wild World”, conhecidíssimas
da galera.
Daí em diante a apresentação
começa a ficar morna, apesar do calor absurdo (e talvez
por causa dele) e aliado ao avançado da hora senti-me à
beira da exaustão. Sem conseguir apreciar mais nada do
que se passava, resolvi retirar-me com a certeza de que shows
assim em dias tão impróprios, não podem ser
tão longos e uma adequação das casas para
oferecer mais conforto, tanto para quem assiste como para quem
se apresenta é medida mais do que urgente. |