Dream Theater
surpreende São Paulo com show antes do horário previsto
Texto: Giu Furlan
Fotos: Adriana Camargo
A
noite de sábado, 8 de março, prometia ser de muita
chuva. Pelo menos era o que diziam as previsões. Fui devidamente
preparada, com capa, binóculos e tudo o mais, para assistir
aos norte-americanos do Dream Theater em sua segunda apresentação
em território brasileiro, promovendo a turnê Chaos
in Motion World Tour (a primeira foi no Rio de Janeiro). Tantas
precauções se justificavam, já que o show
havia sido programado para o estacionamento do Credicard Hall
- portanto, ao ar livre.
Alguns imprevistos me fizeram chegar em cima da hora e qual não
foi minha surpresa ao cruzar os portões do estacionamento
às 20h50 e ser informada que o show já havia começado!
Como isso é possível? O que leva uma banda com um
show marcado para 21h00 começá-lo às 20h30?
Fato imperdoável e sem justificativa, simplesmente uma
falta de respeito da produção para com os fãs
- muitos vindos de outros estados - e para com a imprensa, afinal,
ninguém é obrigado a madrugar na porta de um evento
se dispõe de ingresso ou de credenciais. Escapou-me, portanto,
a oportunidade de ver a banda de abertura, Hangar, o que gostaria
muito de ter feito, dada a qualidade do último CD do grupo,
"The Reason of Your Conviction".
Bastante contrafeita, consegui dirigir-me à lateral esquerda
do palco. Apesar do grande número de pessoas pude aproximar-me
bastante e ter uma ótima visão dos músicos:
lá estavam James La Brie (vocal), John Myung (baixo), John
Petrucci (guitarra), Mike Portnoy (bateria) e Jordan Rudess (teclado).
Um semáforo pendia do teto no centro do palco, lembrando
uma das capas do seu último CD "Systematic Chãos
Special Edition".
"Impactante" é o mínimo que se pode dizer
a respeito do som ao vivo executado pelo grupo. Tecnicamente irrepreensíveis,
apresentaram algumas músicas do novo álbum: "Constant
Motion", "The Dark Eternal Night", "Forsaken"
(apesar de nova, cantada em coro pelos presentes) e "In The
Presence of Enemies". Para alegria do público, não
faltaram também os grandes clássicos como "Blind
Faith", "Surrounded", "Erotomania", "Voices",
"Never Enough" e "Take the Time", entre outras
canções.
À medida que o grupo fazia seu show, imagens com animações
em que a banda era protagonista passavam na tela de fundo, dando
ao evento um toque especial. Dois telões laterais permitiam
ao público ver detalhes da participação de
cada um dos componentes, mas esta "regalia" foi interrompida
na metade do espetáculo, dificultando a visão do
show para inúmeras pessoas em pontos mais distantes ou
de estatura mais baixa.
Entre os momentos marcantes, alguns duos entre Petrucci e Rudess,
este último tocando um keytar (instrumento similar a um
teclado, porém com um formato que lembra uma guitarra)
à frente do palco, e os próprios solos de Petrucci,
sempre fantásticos. Seria injusto apontar este ou aquele
como sendo melhores: todos são verdadeiras ilhas de excelência,
músicos extraordinários, mas convém ressaltar
a participação surpreendente de James La Brie (pois
sempre o achei o "elo" mais frágil da cadeia
DT): seguro, com agudos na medida certa, numa performance emocionada
e com muito carisma, cativou a todos.
No final, a tão propalada chuva felizmente não aconteceu
e o show encaminhou-se para um medley bastante longo e a despedida
carinhosa dos componentes, todos abraçados e curvando-se
perante os calorosos fãs, aproximadamente às 22h50.
Deixo o local cansada devido a tantos imprevistos, mas com uma
sensação de plenitude que só uma música
tão intensa poderia proporcionar. E de quebra com toda
a alegria por ter visto, pela primeira vez a performance daquele
que é um exemplo para mim, um dos meus bateristas prediletos,
Mike Portnoy. Foi uma noite maravilhosa, apesar de tudo.