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Hellion Records
 Matéria

12/03/2008
Dream Theater surpreende São Paulo com show antes do horário previsto
Texto: Giu Furlan
Fotos: Adriana Camargo
 
A noite de sábado, 8 de março, prometia ser de muita chuva. Pelo menos era o que diziam as previsões. Fui devidamente preparada, com capa, binóculos e tudo o mais, para assistir aos norte-americanos do Dream Theater em sua segunda apresentação em território brasileiro, promovendo a turnê Chaos in Motion World Tour (a primeira foi no Rio de Janeiro). Tantas precauções se justificavam, já que o show havia sido programado para o estacionamento do Credicard Hall - portanto, ao ar livre.

Alguns imprevistos me fizeram chegar em cima da hora e qual não foi minha surpresa ao cruzar os portões do estacionamento às 20h50 e ser informada que o show já havia começado! Como isso é possível? O que leva uma banda com um show marcado para 21h00 começá-lo às 20h30? Fato imperdoável e sem justificativa, simplesmente uma falta de respeito da produção para com os fãs - muitos vindos de outros estados - e para com a imprensa, afinal, ninguém é obrigado a madrugar na porta de um evento se dispõe de ingresso ou de credenciais. Escapou-me, portanto, a oportunidade de ver a banda de abertura, Hangar, o que gostaria muito de ter feito, dada a qualidade do último CD do grupo, "The Reason of Your Conviction".

Bastante contrafeita, consegui dirigir-me à lateral esquerda do palco. Apesar do grande número de pessoas pude aproximar-me bastante e ter uma ótima visão dos músicos: lá estavam James La Brie (vocal), John Myung (baixo), John Petrucci (guitarra), Mike Portnoy (bateria) e Jordan Rudess (teclado). Um semáforo pendia do teto no centro do palco, lembrando uma das capas do seu último CD "Systematic Chãos Special Edition".

"Impactante" é o mínimo que se pode dizer a respeito do som ao vivo executado pelo grupo. Tecnicamente irrepreensíveis, apresentaram algumas músicas do novo álbum: "Constant Motion", "The Dark Eternal Night", "Forsaken" (apesar de nova, cantada em coro pelos presentes) e "In The Presence of Enemies". Para alegria do público, não faltaram também os grandes clássicos como "Blind Faith", "Surrounded", "Erotomania", "Voices", "Never Enough" e "Take the Time", entre outras canções.

À medida que o grupo fazia seu show, imagens com animações em que a banda era protagonista passavam na tela de fundo, dando ao evento um toque especial. Dois telões laterais permitiam ao público ver detalhes da participação de cada um dos componentes, mas esta "regalia" foi interrompida na metade do espetáculo, dificultando a visão do show para inúmeras pessoas em pontos mais distantes ou de estatura mais baixa.

Entre os momentos marcantes, alguns duos entre Petrucci e Rudess, este último tocando um keytar (instrumento similar a um teclado, porém com um formato que lembra uma guitarra) à frente do palco, e os próprios solos de Petrucci, sempre fantásticos. Seria injusto apontar este ou aquele como sendo melhores: todos são verdadeiras ilhas de excelência, músicos extraordinários, mas convém ressaltar a participação surpreendente de James La Brie (pois sempre o achei o "elo" mais frágil da cadeia DT): seguro, com agudos na medida certa, numa performance emocionada e com muito carisma, cativou a todos.

No final, a tão propalada chuva felizmente não aconteceu e o show encaminhou-se para um medley bastante longo e a despedida carinhosa dos componentes, todos abraçados e curvando-se perante os calorosos fãs, aproximadamente às 22h50. Deixo o local cansada devido a tantos imprevistos, mas com uma sensação de plenitude que só uma música tão intensa poderia proporcionar. E de quebra com toda a alegria por ter visto, pela primeira vez a performance daquele que é um exemplo para mim, um dos meus bateristas prediletos, Mike Portnoy. Foi uma noite maravilhosa, apesar de tudo.


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