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 Matéria

Março/2006
Deicide, Eternal Malediction e Funeral Putrid
04.03.2006 no Arena Metal (Osasco/SP)
 
Por Rodrigo Marques
Fotos: Pepe Brandão
 
Glenn Benton é conhecido no mundo inteiro como sendo dono de uma das palavras menos respeitáveis do meio do metal. Primeiro com aquela baboseira de que não ia atingir a idade de Cristo, se matando quando chegasse a seu trigésimo terceiro aniversário. Já nos seus quarenta e tantos, o líder desta autêntica lenda do Metal Extremo, que influenciou nomes como Krisiun, Hate Eternal, dentre tantos outros, começou a desmarcar shows com motivos fúteis, como brigas com a namorada, discussões internas e coisas do tipo.

Nessa turnê sulamericana, a primeira da carreira da banda, não foi diferente...
Marcado inicialmente para o dia 18 de Fevereiro, o show teve de ser adiado por que o dito cujo havia “esquecido” que seu passaporte estava lotado e que ele não poderia viajar sem tirar um novo passaporte, o que é mais ou menos como arranjar um emprego com uma carteira de trabalho totalmente preenchida.

Nesta data inicial, Eternal Malediction e Funeral Putrid tocaram na casa osasquense, demonstração de total respeito por parte das bandas de abertura e do local com a galera que havia vindo de longe e não havia ficado sabendo do adiamento, que, por sinal, foi dado pelo empresário do Deicide faltando menos de dois dias para o show do Hangar 110, que seria no dia 17.

Novo show, nova divulgação, alguns prejuízos para uns, nova oportunidade para outros juntarem grana e eis que quase que o show não acontece denovo na data marcada, pois, segundo informação cedida pelos donos do Arena Metal, o produtor que estava agendando esta turnê sulamericana embolsou dois cachês (ou teve o calote de dois organizadores) e, no sábado, pleno dia 04 de março, de manhã, recebo um telefonema do dono de uma importante gravadora brasileira me dizendo que o Glenn Benton havia lhe dito que haviam 12 shows na turnê, só havia recebido 10 cachês e não tocaria em Osasco e Pindamonhangaba. Foi uma odisséia para conseguir trazer a banda, pra se ter uma idéia, precisou-se ameaçar os músicos do Deicide a respeito de uma pendência legal que os mesmos tinham para que eles tocassem nestas noites.

Enfim, tudo deu certo e eis que saio da loja onde trabalho para ir ao Arena conferir este evento e encontrar cerca de 400 headbangers de várias regiões, que pagaram caro para conferir o show, e tenho certeza de que a maioria não se arrependeu de cada centavo gasto.

Abrindo a noite, o Eternal Malediction, que estava lançando seu primeiro e destruidor álbum Endeavour Through Thorns, fez uma aula de show, foi simplesmente um dos melhores shows de abertura que eu já vi em minha vida, e olha que já vi show pra caramba!

O vocalista Heverton Sousa parece um demônio! Na boa, o cara é uma figura de pouco mais de 1,50 m, careca e totalmente blasfêmico, tendo inclusive rasgado uma bíblia e passado a mesma você-sabe-onde em um protesto contra padres hipócritas pedófilos. A banda foi tão competente que, mesmo em suas músicas mais dark, melhor dizendo cadenciadas, com grande influência de doom metal, os caras cativaram os presentes, que esperavam mesmo bater as cabeças carecas e tatuadas (estereótipo bem comum naquela noite). Enfim, uma apresentação de gala com destaque para os hinos “Ancient Black Throne” e “Flames of Humanity”, já bastante conhecida pela galera.

Depois o Funeral Putrid veio para fazer um show correto, mostrando músicas que entrarão em seu primeiro CD, com destaque para o carisma do vocalista Jair (também do Mausoleum) e para os covers que a banda tirou, principalmente Mad Butcher, do fudido Destruction, que fez a galera bangear com energia.

Veio enfim o Deicide, contestado por muitos por sua atitude extra-palco, mas que em performance é excelente, gerando uma autêntica roda de crueldade sob seus amplificadores, pois na pista os headbangers se espremiam e se debatiam aos sons clássicos como “Dead by Dawn” (que fechou o concerto), “Deicide”, “Sacrificial Suicide” e a antológica “When Satan Rules the World”, onde por pouco não voou sangue nas paredes do Arena.

Glenn Benton, apesar de já envelhecido, continua um monstro das cordas, inclusive das vocais, apesar de não ser mestre na simpatia. Mas o povo nem ligou, bangeando até o final ao som da massacrante destruição sonora vinda da ótima aparelhagem que a casa proporcionou para o evento.

Fim de noite e foi um êxtase total para a galera death / black de várias partes do Brasil, neste show de não uma, mas três bandas muito foda. Para você ter uma idéia, saí do show, dormi, acordei, tomei banho e fui dar uma volta, e ainda tinha uma galera enchendo o bolso do dono do buteco da esquina. Um evento pra se lembrar, sem dúvida alguma...




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