 Glenn
Benton é conhecido no mundo inteiro como sendo dono de
uma das palavras menos respeitáveis do meio do metal. Primeiro
com aquela baboseira de que não ia atingir a idade de Cristo,
se matando quando chegasse a seu trigésimo terceiro aniversário.
Já nos seus quarenta e tantos, o líder desta autêntica
lenda do Metal Extremo, que influenciou nomes como Krisiun, Hate
Eternal, dentre tantos outros, começou a desmarcar shows
com motivos fúteis, como brigas com a namorada, discussões
internas e coisas do tipo.
Nessa turnê sulamericana, a primeira da carreira da banda,
não foi diferente...
Marcado inicialmente para o dia 18 de Fevereiro, o show teve de
ser adiado por que o dito cujo havia “esquecido” que
seu passaporte estava lotado e que ele não poderia viajar
sem tirar um novo passaporte, o que é mais ou menos como
arranjar um emprego com uma carteira de trabalho totalmente preenchida.
Nesta data inicial, Eternal Malediction e Funeral Putrid tocaram
na casa osasquense, demonstração de total respeito
por parte das bandas de abertura e do local com a galera que havia
vindo de longe e não havia ficado sabendo do adiamento,
que, por sinal, foi dado pelo empresário do Deicide faltando
menos de dois dias para o show do Hangar 110, que seria no dia
17.
Novo show, nova divulgação, alguns
prejuízos para uns, nova oportunidade para outros juntarem
grana e eis que quase que o show não acontece denovo na
data marcada, pois, segundo informação cedida pelos
donos do Arena Metal, o produtor que estava agendando esta turnê
sulamericana embolsou dois cachês (ou teve o calote de dois
organizadores) e, no sábado, pleno dia 04 de março,
de manhã, recebo um telefonema do dono de uma importante
gravadora brasileira me dizendo que o Glenn Benton havia lhe dito
que haviam 12 shows na turnê, só havia recebido 10
cachês e não tocaria em Osasco e Pindamonhangaba.
Foi uma odisséia para conseguir trazer a banda, pra se
ter uma idéia, precisou-se ameaçar os músicos
do Deicide a respeito de uma pendência legal que os mesmos
tinham para que eles tocassem nestas noites.
Enfim, tudo deu certo e eis que saio da loja
onde trabalho para ir ao Arena conferir este evento e encontrar
cerca de 400 headbangers de várias regiões, que
pagaram caro para conferir o show, e tenho certeza de que a maioria
não se arrependeu de cada centavo gasto.
Abrindo a noite, o Eternal Malediction, que estava
lançando seu primeiro e destruidor álbum Endeavour
Through Thorns, fez uma aula de show, foi simplesmente um dos
melhores shows de abertura que eu já vi em minha vida,
e olha que já vi show pra caramba!
O vocalista Heverton Sousa parece um demônio! Na boa, o
cara é uma figura de pouco mais de 1,50 m, careca e totalmente
blasfêmico, tendo inclusive rasgado uma bíblia e
passado a mesma você-sabe-onde em um protesto contra padres
hipócritas pedófilos. A banda foi tão competente
que, mesmo em suas músicas mais dark, melhor dizendo cadenciadas,
com grande influência de doom metal, os caras cativaram
os presentes, que esperavam mesmo bater as cabeças carecas
e tatuadas (estereótipo bem comum naquela noite). Enfim,
uma apresentação de gala com destaque para os hinos
“Ancient Black Throne” e “Flames of Humanity”,
já bastante conhecida pela galera.
Depois o Funeral Putrid veio para fazer um show
correto, mostrando músicas que entrarão em seu primeiro
CD, com destaque para o carisma do vocalista Jair (também
do Mausoleum) e para os covers que a banda tirou, principalmente
Mad Butcher, do fudido Destruction, que fez a galera bangear com
energia.
Veio enfim o Deicide, contestado por muitos por
sua atitude extra-palco, mas que em performance é excelente,
gerando uma autêntica roda de crueldade sob seus amplificadores,
pois na pista os headbangers se espremiam e se debatiam aos sons
clássicos como “Dead by Dawn” (que fechou o
concerto), “Deicide”, “Sacrificial Suicide”
e a antológica “When Satan Rules the World”,
onde por pouco não voou sangue nas paredes do Arena.
Glenn Benton, apesar de já envelhecido, continua um monstro
das cordas, inclusive das vocais, apesar de não ser mestre
na simpatia. Mas o povo nem ligou, bangeando até o final
ao som da massacrante destruição sonora vinda da
ótima aparelhagem que a casa proporcionou para o evento.
Fim de noite e foi um êxtase total para a galera death /
black de várias partes do Brasil, neste show de não
uma, mas três bandas muito foda. Para você ter uma
idéia, saí do show, dormi, acordei, tomei banho
e fui dar uma volta, e ainda tinha uma galera enchendo o bolso
do dono do buteco da esquina. Um evento pra se lembrar, sem dúvida
alguma...
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