No sábado,
10 de fevereiro, um calor absurdo assolava a cidade de São
Paulo, mas apesar disso, uma fila enorme de jovens muito animados
se postava diante do Via Funchal, em São Paulo, para mais
um espetáculo.
As portas se abrem e os corredores da casa são tomados por
grande algazarra, como se estivéssemos no pátio de
algum colégio na hora do recreio. São 21h10 e a bandeira
brasileira está estendida no meio do palco, num nacionalismo
um tanto demodeé para o contexto.
Surge a banda de abertura, ADREM, de nu-metal, originária
da cidade de Leme (SP) e o que se seguiu foi digno de um filme
trash: grande parte do público repudiando a banda, gritando
o impublicável e atirando objetos no palco, numa total
falta de civilidade. Começa a apresentação
e, azar dos azares, o som é tão inaudível
que torna impossível apreciar qualquer coisa.
A situação só melhora um pouco quando o som
retorna e no momento em que a banda faz um cover de SLIPKNOT,
aí, parece que a galera se desarma e começa até
a cantar junto.
Desrespeito por parte dos pagantes, sim, mas também, falta
de tato dos organizadores em jogar uma banda de tão pequena
expressividade na cova dos leões.
Encerrado o martírio, já com o palco organizado,
chama a atenção no centro dele uma grande mesa de
samplers e às 22h07, luzes roxas inundam o ambiente e o
público vai à loucura com a entrada de DEFTONES,
grupo de nu-metal (estilo que mescla o peso do metal com elementos
de hip hop e música eletrônica) californiano, abrindo
com o hit "Korea".
Única apresentação em show solo nestas paragens
(já estiveram no Brasil em 2001 para o Rock in Rio, mas
junto a outros grupos), os músicos despejaram por cerca
de duas horas, vocais e sons matadores para uma casa muito cheia.
Chino Moreno (vocal e guitarra), Stephen Carpenter
(guitarra), Chi Cheng (baixo e voz), Abe Cunningham (bateria)
e Frank Delgado (samplers), esse é o time de feras que
fez a temperatura do Via Funchal subir a níveis estratosféricos,
com o público cantando e pulando louca e deliciosamente
(aliás, o ar condicionado não deu conta...).
Em que pese à qualidade de som não
ter sido das melhores, a performance do grupo falou por si. Chino,
centro das atenções, confiante no seu domínio
de público, "deitou e rolou", indo de um lado
ao outro do palco, interagindo intensamente com a galera, abusou
do volume e do peso, mostrando uma voz poderosa. A "cozinha"
de baixo e batera, também foi um show à parte (e
que batera!!!).
No repertório, algumas músicas como
"Back to School", "My own summer (shove it)",
"Around the Fur", "Passenger", "Hole
in The Earth", "Rats Rats Rats!", "Bored"
e "7 Words" dentre as 22 executadas, compuseram um abrangente
espectro do som feito por eles ao longo da carreira iniciada em
1995.
Intercalando momentos de muita fúria com outros de som
com atmosfera "viajante", essa verdadeira cascata sonora
representou um dos melhores espetáculos a que pude presenciar
nos últimos tempos. Nenhum solo, mas um trabalho de conjunto
milimétricamente preciso e eficiente.
O show termina com "HeadUp", dedicada por Chino à
banda Sepultura (música escrita junto com Max Cavalera)
e a satisfação era visível quer nas roupas
encharcadas dos presentes como na expressão de contentamento
no rosto de todos que pareciam sequer acreditar no que tinham
presenciado nessa noite sensacional.
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