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Hellion Records
 Matéria

14/02/2007
Deftones em São Paulo
Noite de som poderoso e muito suor
Texto: Giu Furlan
Fotos: Thiago Furlan
 
No sábado, 10 de fevereiro, um calor absurdo assolava a cidade de São Paulo, mas apesar disso, uma fila enorme de jovens muito animados se postava diante do Via Funchal, em São Paulo, para mais um espetáculo.
As portas se abrem e os corredores da casa são tomados por grande algazarra, como se estivéssemos no pátio de algum colégio na hora do recreio. São 21h10 e a bandeira brasileira está estendida no meio do palco, num nacionalismo um tanto demodeé para o contexto.

VEJA AQUI AS FOTOS DO SHOW

Surge a banda de abertura, ADREM, de nu-metal, originária da cidade de Leme (SP) e o que se seguiu foi digno de um filme trash: grande parte do público repudiando a banda, gritando o impublicável e atirando objetos no palco, numa total falta de civilidade. Começa a apresentação e, azar dos azares, o som é tão inaudível que torna impossível apreciar qualquer coisa.

A situação só melhora um pouco quando o som retorna e no momento em que a banda faz um cover de SLIPKNOT, aí, parece que a galera se desarma e começa até a cantar junto.

Desrespeito por parte dos pagantes, sim, mas também, falta de tato dos organizadores em jogar uma banda de tão pequena expressividade na cova dos leões.

Encerrado o martírio, já com o palco organizado, chama a atenção no centro dele uma grande mesa de samplers e às 22h07, luzes roxas inundam o ambiente e o público vai à loucura com a entrada de DEFTONES, grupo de nu-metal (estilo que mescla o peso do metal com elementos de hip hop e música eletrônica) californiano, abrindo com o hit "Korea".

Única apresentação em show solo nestas paragens (já estiveram no Brasil em 2001 para o Rock in Rio, mas junto a outros grupos), os músicos despejaram por cerca de duas horas, vocais e sons matadores para uma casa muito cheia.

Chino Moreno (vocal e guitarra), Stephen Carpenter (guitarra), Chi Cheng (baixo e voz), Abe Cunningham (bateria) e Frank Delgado (samplers), esse é o time de feras que fez a temperatura do Via Funchal subir a níveis estratosféricos, com o público cantando e pulando louca e deliciosamente (aliás, o ar condicionado não deu conta...).

Em que pese à qualidade de som não ter sido das melhores, a performance do grupo falou por si. Chino, centro das atenções, confiante no seu domínio de público, "deitou e rolou", indo de um lado ao outro do palco, interagindo intensamente com a galera, abusou do volume e do peso, mostrando uma voz poderosa. A "cozinha" de baixo e batera, também foi um show à parte (e que batera!!!).

No repertório, algumas músicas como "Back to School", "My own summer (shove it)", "Around the Fur", "Passenger", "Hole in The Earth", "Rats Rats Rats!", "Bored" e "7 Words" dentre as 22 executadas, compuseram um abrangente espectro do som feito por eles ao longo da carreira iniciada em 1995.

Intercalando momentos de muita fúria com outros de som com atmosfera "viajante", essa verdadeira cascata sonora representou um dos melhores espetáculos a que pude presenciar nos últimos tempos. Nenhum solo, mas um trabalho de conjunto milimétricamente preciso e eficiente.

O show termina com "HeadUp", dedicada por Chino à banda Sepultura (música escrita junto com Max Cavalera) e a satisfação era visível quer nas roupas encharcadas dos presentes como na expressão de contentamento no rosto de todos que pareciam sequer acreditar no que tinham presenciado nessa noite sensacional.


  Veja as fotos do show do Deftones



www.universodorock.com



SLIPKNOT
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