Terça-feira
de trânsito caótico em São Paulo, com uma chuva
que não dava trégua. Chegar ao Tom Brasil Nações
Unidas no último dia 28 de novembro nessas
condições tornou-se uma aventura, quase um desastre.
Por sorte, parece que o atraso foi generalizado e perder a banda
de abertura, nessas circunstâncias adversas tornou-se um
mero detalhe. Às 22h30 lá estavam eles, Ian Gillan,
Steve Morse, Don Airey, Roger Glover e Ian Paice no palco, atendendo
ao chamado insistente dos fãs que gritavam sem parar: Deep
Purple!
Casa muito cheia, bem além do que eu poderia esperar para
uma banda que já se apresentou por aqui inúmeras
vezes e que teria show também no dia seguinte.
Algumas músicas novas no repertório, como por exemplo
"Wrong Man" e "Kiss Tomorrow Goodbye" do Cd
novo "Rapture of the Deep", boas, todas elas (pude até
ouvir alguns mais aficcionados cantando junto), mas alguém,
em sã consciência vai a um show de uma banda veterana
como essa para ouvir músicas novas? O que se espera são
os clássicos, e eles vieram como a linda "When a blind
man cries", "Perfect Strangers", “Highway
Star" ou "Smoke on the Water".
Músicos com um grau de excelência absurdo quer seja
nos sempre admiráveis solos longos e complexos de Steve
Morse, em alguns momentos revisitando velhos clássicos
de outras bandas como Guns´n Roses, ou na extrema competência
de Don Airey mostrando que tem condições de sobra
para ocupar o lugar que foi do magnífico Jon Lord.
Glover e Paice dispensam comentários, embora eu desejasse
ter visto um solo de batera um pouco mais longo. Quanto a Ian
Gillan, fica claro que ele já não possui os mesmos
recursos vocais de outrora fato plenamente compensado por seu
enorme carisma e técnica, aliados a grande dose de emoção
ao interpretar todas as canções.
Todos eles, visivelmente felizes com a calorosa acolhida e participação
do público.
Mas nem tudo foram flores nesse show e alguns problemas significativos
ocorreram. O calor no interior da casa beirava o insuportável,
com algumas pessoas passando mal e sendo retiradas por seguranças.
Visibilidade quase zero para quem se encontrava na platéia
e não estivesse nas primeiras filas diante do palco, uma
vez que o piso apresenta um único nível em toda
sua extensão. Felizmente havia os telões, que em
determinado momento da performance de Morse deixaram de funcionar,
só voltando algum tempo depois. Uma banda com tanta história
e um público tão fiel mereciam um tratamento mais
digno.
A apresentação se aproxima do fim e o bis não
poderia ser melhor, "Hush" e "Black Night”
levam o público ao delírio e apesar de tantos contratempos,
é preciso reverenciar uma banda que se mantém tão
íntegra, mesmo com tanto tempo de estrada. |