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Hellion Records
 Matéria

02/12/2006
Deep Purple fez show de clássicos no TOM BRASIL em São Paulo
Texto: Giu Furlan
Fotos: Adriana Camargo
 
Terça-feira de trânsito caótico em São Paulo, com uma chuva que não dava trégua. Chegar ao Tom Brasil Nações Unidas no último dia 28 de novembro nessas condições tornou-se uma aventura, quase um desastre.

Por sorte, parece que o atraso foi generalizado e perder a banda de abertura, nessas circunstâncias adversas tornou-se um mero detalhe. Às 22h30 lá estavam eles, Ian Gillan, Steve Morse, Don Airey, Roger Glover e Ian Paice no palco, atendendo ao chamado insistente dos fãs que gritavam sem parar: Deep Purple!

Casa muito cheia, bem além do que eu poderia esperar para uma banda que já se apresentou por aqui inúmeras vezes e que teria show também no dia seguinte.
Algumas músicas novas no repertório, como por exemplo "Wrong Man" e "Kiss Tomorrow Goodbye" do Cd novo "Rapture of the Deep", boas, todas elas (pude até ouvir alguns mais aficcionados cantando junto), mas alguém, em sã consciência vai a um show de uma banda veterana como essa para ouvir músicas novas? O que se espera são os clássicos, e eles vieram como a linda "When a blind man cries", "Perfect Strangers", “Highway Star" ou "Smoke on the Water".

Músicos com um grau de excelência absurdo quer seja nos sempre admiráveis solos longos e complexos de Steve Morse, em alguns momentos revisitando velhos clássicos de outras bandas como Guns´n Roses, ou na extrema competência de Don Airey mostrando que tem condições de sobra para ocupar o lugar que foi do magnífico Jon Lord.
Glover e Paice dispensam comentários, embora eu desejasse ter visto um solo de batera um pouco mais longo. Quanto a Ian Gillan, fica claro que ele já não possui os mesmos recursos vocais de outrora fato plenamente compensado por seu enorme carisma e técnica, aliados a grande dose de emoção ao interpretar todas as canções.
Todos eles, visivelmente felizes com a calorosa acolhida e participação do público.

Mas nem tudo foram flores nesse show e alguns problemas significativos ocorreram. O calor no interior da casa beirava o insuportável, com algumas pessoas passando mal e sendo retiradas por seguranças. Visibilidade quase zero para quem se encontrava na platéia e não estivesse nas primeiras filas diante do palco, uma vez que o piso apresenta um único nível em toda sua extensão. Felizmente havia os telões, que em determinado momento da performance de Morse deixaram de funcionar, só voltando algum tempo depois. Uma banda com tanta história e um público tão fiel mereciam um tratamento mais digno.

A apresentação se aproxima do fim e o bis não poderia ser melhor, "Hush" e "Black Night” levam o público ao delírio e apesar de tantos contratempos, é preciso reverenciar uma banda que se mantém tão íntegra, mesmo com tanto tempo de estrada.

 
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