O sol de rachar, ingresso caro, engarrafamento na entrada do estacionamento
e lama, marcou o evento Claro Q É Rock, realizado no último
dia 27 de novembro na Cidade do Rock, Rio de Janeiro. Mesmo assim,
as poucas pessoas que estavam na "concentração"
antes do início do show estavam animadíssimas para
ver de perto Good Charlotte, Flaming Lips, Iggy & The Stooges,
Sonic Youth e Nine Inch Nails na mesma noite, de um palco para
outro.
Cachorro
Grande
Após um longo atraso, Cachorro Grande subiu ao palco
com seu visual retrô-terninho-beatles e causou uma aglomeração
quase mágica (De onde surgiu tanta gente?) na frente
do palco, que simplesmente vibrou com o ponto alto do show:
"Helter Skelter" dos Beatles.
Good
Charlotte
Um show para adolecentes da nação Emocore não
colocarem defeito. A banda afirmou na entrevistas que iria se
diferenciar do esperado, porém, foi um show sem muitas
surpresas. Um visual esperado além de um setlist com
hits esperados, meninas chorando desesperadas e uma atitude
“MUITO ousada” de Benji em deslocar-se para o "poleiro"
da imprensa. Para grande parte que foi ao festival, a galera
EMO, foi o melhor show da noite.
Fantomas
O show do Fantômas foi pra lá de experimental,
e nada feito para fãs de Faith No More. A reação
foi quase a mesma em toda cidade do Rock: Espanto.
Não há como descrever o que aconteceu ali, só
quem presenciou tem uma opinião formada e é difícil
repassá-la diante de tamanha peculiaridade sonora, mas
enfim, quem é fã de Mike Patton, VIU Mike Patton,
quem curte Fantômas, teve um bom show, alguns torceram
o nariz e outros não deram a menor bola.
The
Flaming Lips
Um show que causou arrepios, uma verdadeira festa no palco.
Com direito a entrada triunfal de Wayne M. Coyne, líder
da banda, em uma imensa bolha. Acredito que as concepções
de muita coisa mudam após um show desta banda. Música
+ show que parece uma imensa festa de aniversário = Você
muito feliz!
Muitos, quando digo muitos arrisco dizer 80% das pessoas, não
conheciam nada, ou quase nada do som desta banda, mas TODOS
ficaram boquiabertos com Bohemian Rhapsody (palmas!) e War Pigs.
Queen e Black Sabbath para ninguém colocar defeito. Flaming
Lips foi a festa que o evento precisava.
Sonic
Youth
Uma das bandas mais esperadas do evento, o Sonic Youth fez uma
apresentação extremamente introspectiva. Alguns
fãs torceram o nariz, pois a prioridade foram músicas
do último álbum "Sonic Nurse", que podemos
sim afirmar que é um bom trabalho. Para quem curte assistir
show e não pular e dançar teve um prato cheio.
O Sonic Youth continua fiel a suas essências, explorando
microfonia e dissonância.
Iggy
Pop & The Stooges
Loucura. Quem conhece, já esperava algo parecido, quem
não conhecia, ficou boquiaberto. Iggy Pop arrasou, apareceu,
criou polêmica e fez inveja a muito jovenzinho de 18 anos.
O "coroão" do Rock mandou muito bem. Rolou
de tudo, performances "sexuais", xingamentos, pisadas
na cabeça de repórteres que se acotovelavam em
busca do melhor ângulo e um convite a platéia para
subir ao palco. Iggy Pop é Iggy Pop.
Rolaram sons de dois dos trabalhos de estúdio dos Stooges,
"Stooges" e "Fun House", também deu
para conferir o mais recente trabalho de Iggy, "Skull Ring",
de 2003. Um(?) ponto alto do show foi "No Fun", com
fãs invadindo palco a convite do próprio Iggy,
burlando seguranças e tendo um momento que jamais sairá
da memória.
Nine
Inch Nails
O Nine Inch Nails teve de mostrar a que veio e manter o povo
disposto a curtir o show até o fim, depois da experiência
porporcionada pelo mestre Iggy Pop. Mostraram. Trent Reznor
protagonizou a "porrada" sonora violenta de "Wish",
abrindo um show memorável. A banda fez um show inesquecível.
O guitarrista Aaron North, o baixista Jeordie White (também
conhecido como Twiggy Ramirez, ex-Marilyn Manson), o tecladista
Alessandro Cortino e o baterista Alex Carapetis proporcionaram
"a night to remember". Reznor cantava como se fosse
seu último dia na terra, berrando e arremessando longe
os pedestais de microfone. No setlist, trabalhos antigos como
"Head Like a Hole" e hits como "The Hand That
Feeds". Inesquecível.