Noite
de chuva intensa no dia 17 de março, fila enorme e muito
barulho na porta do Via Funchal, para o show dos alemães
do Blind Guardian, banda de power metal que se apresenta pela terceira
vez no país.
Usando como referência climas medievais e refrãos grandiosos,
fazem um metal épico bem característico.
No momento da abertura da casa, com o corre- corre injustificado
de sempre, o local começou a ficar repleto de gente.
Casa "lotadaça" e às 22 horas o público
começou a cantar o refrão de praxe, "olé,
olé, olé...Blind, Blind", chamando insistentemente
pelos bardos que às 22h08, pontuais para esse tipo de evento,
posicionaram-se no centro do palco e iniciaram o espetáculo
com "Into the Storm".
A voz de Hansi Kürsch praticamente desapareceu, soterrada
pela avalanche vocal do público formando um coral gigantesco
e afinadíssimo. O cantor aliás, em muitos momentos
durante a apresentação calou-se, deixando tudo por
conta da galera que em nenhum instante deixou "a peteca cair".
O vocalista pareceu-me, principalmente no início, muito
frio e burocrático.
Já o baixista (Oliver Holzwarth) sempre muito sorridente
e parecendo bastante feliz, erguia sempre os braços, batendo
palmas, incitando a galera para uma animação ainda
maior.
O estreante da banda, o baterista Frederik Ehmke mostrou uma
pegada vigorosa e teve excelente performance.
Quanto ao som, deixou muito a desejar; o vocal embolado com as
guitarras, o baixo praticamente imperceptível, sensação
de abafamento total.
O palco foi de uma pobreza franciscana, e mesmo tendo prometido
trazer a mesma produção dos shows europeus, nem
sequer uma bandeira ou qualquer outro adereço foi utilizado
e nesse aspecto já presenciei muitos grupos menos famosos
muito mais cuidadosos nesse aspecto visual.
Entendo até que talvez fosse inviável em termos
financeiros, transportar algum cenário de avião,
mas acho que alguma alternativa poderia ter sido pensada, o que
denotaria carinho para com um público sempre tão
fiel e animado.

Priorizando as músicas mais antigas, para alegria dos fãs,
tais como "Nightfall", "Time Stands Still (At The
Iron Hill)" e "Valhalla" e com apenas duas músicas
do novo Cd intitulado "A Twist In The Myth" ("Fly"
e "Another Stranger Me") o set list agradou bastante
(claro que sempre se poderia dizer que faltou alguma
coisa...)
Ao final do espetáculo, com o palco tomado por uma luz
esverdeada, o biz acontece com a tão aguardada "The
bard's song", talvez a mais clássica do grupo.
Segue-se "Mirror, Mirror" e "Barbara Ann",
um cover dos Beach Boys gravado pelos alemães no álbum
"Follow the Blind", esta última com a participação
dos músicos do Angra, Edu Falaschi e Felipe Andreoli.
Duas horas depois, encerrou-se o show que considerei apenas
mediano, exceção feita a participação
maravilhosa do público, muito aquém das minhas expectativas.
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