“And
then there was silence in Belo Horizonte”. A frase do vocalista
Hansi Kürsch descreve o sentimento dos fãs após
a passagem da banda alemã pela capital mineira. Em meio a
gritos de guerra e odes ao fantástico, o show serviu para
confirmar ainda mais a importância da banda no cenário
Heavy Metal mundial, e fazer do seu público o ator principal
do espetáculo.
Casa cheia (mais de 2500 pessoas), a espera pela banda era repleta
de ansiedade. O evento, que não contou com banda de abertura,
estava marcado para começar às 22:00, com a abertura
dos portões às 21:00. O ponto positivo de não
haver banda de abertura é a desculpa de que haverá
pontualidade, e assim foi.
Após a introdução “War Of Wrath”,
a banda já fez o público cantar com “Into
the Storm”, e logo na entrada pôde se perceber que
o vocalista Hansi Kürsch não teria problema nenhum
em cantar as músicas, pois o público cantava por
ele. A massa sonora que vinha da platéia cantando o refrão
era impressionante. A música foi seguida por “Born
In A Mourning Hall”, pela excelente “Nightfall”,
“Script For My Requiem” e “Fly”.
Todas as músicas, recentes ou não, eram aclamadas
pelo público, que poderia ser encarado como um coral convidado
a fazer parte do espetáculo e impressionando os próprios
músicos. Isso se confirmou também na empolgante
“Valhalla”, e inclusive no momento em que Hansi tentou
apresentar a música “Time Stands Still (At The Iron
Hill)”, no qual este fez uma brincadeira com a platéia,
como se estivessem o atrapalhando a dizer o nome da música.
“Welcome
To Dying”, “Bright Eyes”, “This Will Never
End” e “Lost In A Twilight Hall” continuaram
a batalha, que chegaria ao seu desfecho com a épica “And
then there was silence”, 14 minutos de música que
seriam os últimos do show.
É claro que a banda não iria embora sem tocar alguns
clássicos que ficaram de fora até então.
O público esperou, chamou por eles, sacudiu a casa de shows,
e então Hansi volta para anunciar mais um petardo: “Imaginations
from the Other Side” , muito esperado por todos os presentes.
Mas o momento culminante do show estava por chegar. No fundo do
palco já se via os violões sendo ligados pelos roadies
da banda. Era a música que todos ali queriam ouvir e cantar:
“The Bard´s Song (In The forest)”. Eu me pergunto
qual será a emoção de um músico ao
ouvir 2500 pessoas cantando uma de suas canções,
e nem precisar de cantá-la, o volume da platéia
era tão alto que abafava os violões. Era um coro
que, apesar de não estar usando sua energia em algo construtivo
ou revolucionário, conseguiu fazer a casa de shows tremer,
recebendo inclusive elogios de Hansi, que chegou a dizer que foi
o melhor público até então. Para quem duvida,
várias filmagens dessa parte do show já estão
disponíveis no you tube, é só conferir.
Após
o pedido da platéia, a banda executou a clássica
“Mirror, Mirror”, que fechou o evento, aos berros.
Apesar do público ter sido o ponto forte do evento, não
se pode deixar de falar nos músicos muito bem ensaiados,
executando as músicas com perfeição, apesar
da falta de presença de palco (destaque para o guitarrista
André Olbrich, que executou solos com maestria e precisão).
Mas o que foi percebido ali é que, em se tratando de Blind
Guardian, temos uma banda consagrada, vanguardista, e com clássicos
que podem ser escolhidos a dedo para um evento desse porte.
|