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Hellion Records
 Matéria

06/12/2006
B.B. King encanta e alegra público paulista
no Via Funchal
Texto: Giu Furlan
Foto: Mathias Coaracy
 
Casa absolutamente cheia, mesas na pista, platéia de diferentes faixas etárias e provavelmente, a última chance de ver e ouvir, ao vivo, uma lenda, um mestre.

Uma certa Lucille (Gibson) em pé, no centro do palco, sendo fotografada de todos os ângulos como uma grande estrela e às 21h51 tem início a segunda apresentação da turnê (The Farewell World Tour) de despedida do rei do blues B.B. King (ou Blues Boy King, que é seu nome artístico completo), que passará a tocar apenas nos Estados Unidos.

O som começa grandioso, com a B.B. King Orchestra se apresentando (4 metais, bateria, baixo e teclado), time de primeira o desses senhores de certa idade...

E eis que anunciam o nome mágico e adentra ao palco ovacionado em pé, pelo público aquele que foi influência para um grupo enorme de guitarristas.
Sentado ao centro (e assim ficaria durante todo o show) esse senhor de 81 anos fala de sua alegria em estar no Brasil, onde, segundo ele, encontra-se ótima comida, excelentes cavalheiros mas principalmente belíssimas mulheres e essa seria a tônica da noite: um show repleto de piadas engraçadas e referências
cheias de elogios às mulheres em geral.

Sempre brincando, justifica o fato de tocar sentado, pois "com sua idade, as pernas estão ruins, as costas estão ruins e a cabeça também". Mas não foi isso o que se viu e sim um homem cujo som da guitarra Lucille é atemporal, capaz de extrair dela gemidos, canto e lamento e de emocionar, numa intimidade com o instrumento que só o grande amor pela música pode trazer. Um cantor cuja voz soa tão jovial e potente quanto no início de carreira.

Cantando maravilhas como "Rock Me, Baby", "The Thrill Is Gone", "When Love Comes To Town" , "Ain't That Just Like a Woman", entre outras, enquanto sacudia-se na cadeira, levava o público a fazer coro com ele em várias canções. Sim, ele é o "homem do blues" por natureza.

O show termina às 23h30, sem bis, mas num clima festivo e apoteótico com "When the Saints Go Marchin' In, e a despedida ganha ares de celebração.

Um misto de respeito, reconhecimento e êxtase são as sensações que ficam na alma quando o show termina, e uma vontade enorme de poder abraçar esse velho menino que tanto fez pelo blues, para agradecer por uma noite assim inesquecível.



Publicado 06/12/2006 - www.universodorock.com



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