 Pela
primeira vez no Brasil tivemos, neste 1º de fevereiro, a
apresentação da banda sueca de death metal Arch
Enemy no Via Funchal, em São Paulo.
Devo confessar que estava bastante apreensiva, pois embora já
tivesse assistido a alguns poucos shows do gênero, essa
nunca foi a minha "praia", uma vez que sempre gostei
do heavy metal "tradicional" e imaginei que tipo de
fã extremado eu poderia encontrar pela frente... Idéia
estereotipada, a minha!
Adentro a casa de espetáculos e encontro
um público bastante razoável, mas absolutamente
ordeiro e tranqüilo e a preocupação inicial
começa a se desfazer.
Às 20h50, começa a apresentação da
banda de abertura, a baiana Unglody (death metal com influências
de black metal) e uma fúria sonora invade o ambiente. Sinto-me
repentinamente transportada para uma caverna pré-histórica,
prestes a descobrir o fogo!
Som com velocidade avassaladora e com todos os clichês presentes:
músicos fazendo pose de truculentos, cabelos longos e desgrenhados,
e o balançar de cabeças característico. Com
apenas um Cd lançado e já tendo aberto o show do
Slayer, preparou, de modo empolgante, o clima para o que viria
a seguir, e foi muito bem recebida pelos paulistas. Sua última
música, inclusive, foi "War Ensemble" do próprio
Slayer.
O Unglody deixa o palco e os roadies avançam
iniciando a preparação para o tão esperado
show principal. Um grande banner ao fundo traz uma impactante
imagem do último Cd do Arch Enemy, "Doomsday Machine"
(de 2005).
Aos
brados, a platéia chama pela banda e aproximadamente às
22h15 as luzes foram se apagando; eis que chegam Michael Amott
(guitarrista e fundador da banda) com uma Flying V negra, Fredrik
Åkesson (guitarrista que substituiu o irmão de Michael
e oriundo das bandas Tiamat e Talisman), Sharlee D' Angelo no
baixo, Daniel Erlandsson na bateria e a linda Angela Gossow empunhando
o microfone. Ao som de "Nemesis" o público vai
ao delírio.
Com os dedos em riste simbolizando o "metal", a pequena
e loira Angela prova que é uma gigante no palco e com seu
vocal inacreditável que parece saído diretamente
do inferno, deixa muitos marmanjos colegas de profissão
no chinelo. Agressividade e técnica, muita técnica,
para urrar dessa maneira e chegar ao final do espetáculo
com a voz intacta. Atuação segura e precisa dessa
mulher, que é o diferencial do conjunto.
Numa apresentação de impacto, a
banda manteve o domínio do público do começo
ao fim e este correspondeu acompanhando todas as canções
aos berros
- se é que é possível acompanhar essa vocalista.
Mostrando que não é só uma
banda do barulho, os guitarristas despejam riffs pesados de trash
com incrível técnica, mas também melódicos
e elaborados,
com elementos de heavy metal tradicional até o progressivo.
No momento dos solos das guitas, deu para lembrar até do
conterrâneo Y. J. Malmsteen.
Um impecável jogo de luzes compôs a cena ao longo
de toda a apresentação, produzindo efeitos incríveis,
deixando o palco ainda mais grandioso e dando à caveira
do banner um aspecto tridimensional e real.
Impossível ficar indiferente a esse massacre sonoro e à
vibração contagiante da platéia. Surpreendi-me
tendo minha noite de headbanger sacudindo a cabeça nesse
ritmo onde se emitem "zilhões" de notas por segundo
e a batera parece à descarga contínua de um trovão.
Interessante, instigante e uma grande apresentação
desta que é sem dúvida um das grandes expressões
do metal extremo.
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