Numa
simpática e agradável casa de espetáculos,
o Victoria Hall em São Caetano do Sul/SP, no dia 27 de janeiro
(sábado), teve início às 22h14 mais um show
da banda Angra. No fundo do amplo palco, um grande banner com uma
reprodução da capa do Cd "Aurora Consurgens"
acolhe a poderosa bateria Mapex de Aquiles Priester.
Sem nenhum efeito pirotécnico desta vez, ao contrário
do show de comemoração dos 15 anos da banda em São
Paulo, ela prova que seu real atrativo está na extrema
excelência de seus músicos. Num entrosamento invejável,
levou o público a uma verdadeira catarse. Público
pequeno, por sinal, cuja quantidade não fez jus à
qualidade do espetáculo. Pena para quem não foi...
Começando com "Carry On" e apresentando no set
list várias músicas das diferentes fases do grupo,
como "The Voice Commanding You", "Ego Painted Grey",
"Salvation Suicide", “The Course of Nature”,
“Nothing to Say”, "Rebirth", entre outras.
O show foi impecável e quente do começo ao fim.
Arrebatador, pois além da técnica esteve presente
a alma dos músicos em cada acorde e em cada vocal.
Vale ressaltar a evolução visível
de Edu Falaschi como vocalista, capaz de passar de agudos extremos
para uma voz melodiosa com a mesma naturalidade e desenvoltura.
Nítida também a satisfação dos músicos
por estarem ali, tanto nos sorrisos sempre estampados como na
profunda emoção ao interpretar todas as canções.
O público, extremamente jovem, também
fez a sua parte no espetáculo entoando todas as canções
com emotividade. Aliás, há algo de intrigante na
baixa faixa etária dos fãs do Angra, fenômeno
para o qual ainda não encontrei explicação
dado a maturidade musical que a banda tem.
Para completar a noite de modo brilhante, numa
prática que vem se repetindo em todos os shows, os músicos
permutam os instrumentos e tocam covers. Qual não foi minha
surpresa ao ouvir Kiko Loureiro cantando uma versão pesada
de "Come Together" dos Beatles, de modo mais que competente,
acompanhado por Felipe Andreoli na batera, Aquiles Priester no
baixo e Edu Falaschi e Rafael Bittencourt nas guitarras, num desempenho
surpreendente, em prova incontestável de profissionalismo.
Encerraram o show ao som de "Smoke on the
Water" do Deep Purple, com nova troca de posição
nos instrumentos (Kiko na batera, Felipe e Edu nas guitarras,
Rafael no vocal e Aquiles no baixo). Duas horas depois, ao término
do show, a banda que soou mais pesada do que nunca se despede
do público.
Parte agora para uma turnê no Japão com o Blind Guardian
com direito a uma passagem pela Europa e só retornando
ao Brasil em março. Dá para prever que o sucesso
deve se repetir em terras estrangeiras, nada mais justo diante
de tamanha competência. |