Este
tem sido um ano surpreendente para todas as vertentes do rock em
São Paulo com shows acontecendo aos montes. No dia 16 de
junho foi a vez do público paulistano conferir a apresentação
da banda americana de metal progressivo Symphony X.
O Via Funchal não estava muito cheio, com um público
predominantemente adolescente e muito ruidoso e às 21h00
um feixe de luz esverdeada partindo de uma torre do palco atingiu
a platéia dando inicio ao show da banda de abertura, o
quinteto paulistano Mindflow (também fazendo prog metal).
Músicas “viajantes”, fortemente prejudicadas
por problemas de som que impediram uma melhor apreciação
do trabalho vocal. Destaque para a “cozinha”, bastante
coesa e pesada. Aliás, o kit de bateria era gigantesco,
bem maior do que o da banda principal, o que não deixa
de ser curioso. Um bom momento foi o cover de “Perry Mason”
do Ozzy, numa leitura muito interessante. Não foi um show
ruim, mas excessivamente longo, eu diria até bastante cansativo
e é claro que isso se refletiu na reação
da platéia muita vezes exagerada e intolerante.
Final da apresentação às
22h05 e os ajustes de palco levaram mais de 35 minutos. Quando
as luzes se apagaram uma massa compacta correu à frente
do palco para receber o Symphony X, grupo formado em 1994, que
já esteve no Brasil em 2000, que conta com Michael Romeo
na guitarra, Jason Rullo na bateria, Michael Pinella no teclado,
Michael LePond no baixo e Russell Allen no vocal.
Entram
detonando com “Of Sins and Shadows” (do álbum
The Divine Wings of Tragedy}, destilando todos os clichês
do gênero (velocidade, peso, teatralidade...e haja clichês!)
tocam “Domination”, “Inferno”, “Evolution”
, “Communion and The Oracle” , “Smoke and Mirrors”,
“Set The World On Fire (Lie of Lies)”, “Serpent’s
Kiss” (estas duas do mais novo Cd de nome Paradise Lost),
“King Of Terrors”, “Sea Of Lies”, mas
o som mais uma vez não ajuda. Volume estupidamente alto
(meus ouvidos ainda estão zunindo!) tornando a audição
um martírio, desajuste entre a altura dos vários
instrumentos e em vários momentos era impossível
ouvir a voz de Russell que apesar disso mostrou ser um vocalista
afinadíssimo, técnico e com enorme carisma, conquistando
o público com seu jeitão de prima-dona.
Michael Romeo deita e rola na guitarra e em determinado
instante tem seus olhos tapados por Allen e mesmo assim continua
fazendo seus “tappings” com toda desenvoltura. Como
era de se esperar, a galera vibrou, cantou em coro, pulou...,
mas precisa ser fã de carteirinha para apreciar essa enxurrada
de lugares-comuns (os fãs que me perdoem).
No momento do bis vem “The Odyssey”
e o show que durou mais ou menos uma hora e meia termina. Curto
demais para os fãs, longo demais para mim... |