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Hellion Records
 Matéria

Maio/2008
Queensryche encerra a turnê em São Paulo com espetáculo irrepreensível
Texto: Giu Furlan
Fotos: Adriana Camargo
 
Estranho e inusitado chegar ao Credicard Hall nesta sexta, 16 de maio, e encontrar os estacionamentos com lugares sobrando, nenhuma fila, nenhum alvoroço. O grupo norte-americano Queensrÿche faria ali a sua apresentação e para um grupo tão prestigioso, com quase 30 anos de carreira, tido como um dos precursores do metal progressivo, essa pouca afluência de público não deixava de ser surpreendente. Podemos talvez creditar esse fato à quantidade avassaladora de shows na capital, em curto espaço de tempo, combalindo o bolso dos fãs menos privilegiados.

Queensrÿche entrou em cena por volta das 22h15, mandando de cara a incrível “Best I Can”, do álbum “Empire” de 1990, e a casa até que não estava tão vazia como eu supunha; pouco mais de 3000 pessoas - público não tão grande, mas bastante expressivo se comparado com a tour em outros estados. Um palco despojado, apenas com um pano preto ao fundo trazendo o logo do grupo, era o cenário, mas pra que mais? O som que eles apresentam já é sofisticado o suficiente sem precisar de recursos cênicos adicionais.

Veja aqui as fotos do show da banda Queensryche

O quinteto é formado pelo líder e vocalista Geoff Tate, por Scott Rockenfield na bateria, Eddie Jackson no baixo e ainda Michael Wilton e Mike Stone nas guitarras. O repertório trouxe um apanhado geral da carreira e a banda emendou na seqüência “NM 156” e “Screaming in Digital”, mais antigas. Seguiram-se "Hostage" e "The Hands", duas canções do CD "Operation Mindcrime II" de 2006 e a balada “Bridge”, do álbum “Promised Land”.

O som estava impecável e os músicos, tocando com uma precisão e técnicas irrepreensíveis, trouxeram em seguida "The Killing Words", "Another Rainy Night (Without You)", "Gonna Get Close to You" e "Walk in the Shadows". Eu mal podia acreditar no que estava ouvindo, pois não imaginava que pudessem reproduzir ao vivo a qualidade sonora dos álbuns; mas eu diria que houve até superação. Enorme parte disso deve-se a estrondosa qualidade vocal de Geoff Tate: sua interpretação potente e única, valorizando cada palavra e cada nota, num domínio de técnica como poucas vezes presenciei, foi surpreendente e constituiu-se num espetáculo à parte. A dramatização e o visível sentimento colocado por ele em todas as canções acrescentaram a elas um brilho todo especial.

Entre as músicas, Tate discursava para a platéia num misto de poesia e filosofia com sua voz forte e poderosa e em determinado momento anunciou sua homenagem a um grupo que lhes teria servido de influência: o Black Sabbath. Aos acordes iniciais de “Neon Knights” o público responde com grande empolgação. Vieram ainda "Last Time in Paris", "Breaking the Silence" e "Anybody Listening?", e nesta última, a colunista que vos escreve não conseguiu conter as lágrimas, tamanha a emoção por presenciar interpretação tão magistral.

Falando sobre características da cidade de Seattle (onde o grupo surgiu), Tate introduz o hit “Jet City Woman” (do disco “Empire”) e com a belíssima "Eyes Of a Stranger", termina a primeira parte do show e o quinteto deixa o palco sob aplausos calorosos. O guitarrista Mike Stone, após brevíssima pausa, voltou ao palco com um cavaquinho elétrico e numa deferência especial ao público brasileiro, interpretou trechos do “Hino Nacional Brasileiro” e do famoso chorinho “Brasileirinho”.

Sem grandes delongas, voltaram para o bis, e a sequência foi avassaladora com “The Lady Wore Black”, “Empire” e "Take Hold of the Flame”. E como não poderia ser diferente, ficou reservada para o final a canção que é marca registrada do grupo e que Tate apontou como uma de suas preferidas: “Silent Lucidity”, cantada numa só voz pelo público, emocionando até as mais duras almas e fechando a noite em grande estilo.

Por volta das 00h15, com a bandeira nacional em mãos, os componentes se despedem deixando o palco, encerrando assim sua excursão em terras brasileiras. Posso dizer, sem sombra de dúvida, que dos inúmeros espetáculos a que tenho presenciado, este se coloca num patamar de qualidade dificilmente suplantável. Pena para quem não foi! Que noite inesquecível!



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