Finalmente chegamos à nona edição
do New England Metal and Hardcore Fest celebrando e enaltecendo
o underground. Ao contrário da maioria dos festivais itinerantes,
o NEMHCF acontece em um antigo teatro e traz desde as bandas mais
desconhecidas até aquelas mais evidenciadas pela mídia,
não se limitando as modinhas que rolam aqui nos Estados
Unidos. Nomes como The Haunted, Diecast, God Forbid, Dark Funeral,
Soilwork, All That Remains, Meshuggah, Opeth, Arch Enemy, Iced
Earth, Children of Bodom, Nightwish, Sonata Arctica, Gamma Ray,
Exodus, Byzantine, Dragonforce, Cellador e muito outros já
pisaram no palco deste espetacular evento.
Este ano sessenta e duas bandas foram anunciadas para dividir
os dois palcos do festival, no andar de cima um espaço
menor dedicado para as bandas emergentes e no andar de baixo uma
grande área, somando uma capacidade de mais de dois mil
fãs. Além disso, o segundo dia se comemorava os
vinte e cinco anos da Metal Blade Records em uma festa que prometia
muitas surpresas.
Sexta Feira:
O
tráfego e forte chuva que caia atrapalharam muito e acabei
chegando ao festival com duas horas de atraso, as apresentações
começaram ao meio dia e sendo assim não pude conferir
algumas boas bandas como Daath, xDeathStarsx e Thy Will Be Done.
Logo que entrei, me deparei com um som de bateria monstruoso,
no comando estava o The Faceless ministrando um Death Metal brutal
e em vinte minutos de show conseguiu deixar muita gente de cabelo
em pé! Nora, Devil Wears Prada, All Shall Perish, Still
Remains e Despised Icon foram as bandas que se revezaram no palco
principal até a entrada do Skinless caracterizado pelo
vocalista Jason Keyser usando uma mascara de gás que logo
foi tirada para que os berros guturais tomassem conta do local.
Apenas cinco músicas figuraram o repertório
– Overlord, Tampon Lollipops, Tug of War Intestines, Deathwork
e The Optimist trouxeram muita agitação, fazendo
até Jason pular do palco diretamente para o público!
Enquanto o Nachtmystium mostrava o seu Black Metal eu aproveitei
para dar uma respirada, o calor começava a incomodar e
alguns contatos tinham que ser feitos. Menos de vinte minutos
para colocar as coisas em ordem e é chegada a vez dos canadenses
do Kataklysm serem calorosamente recebidos pelos fãs. Apresentando
o seu Death Metal de muita qualidade a ‘diversão’
começou logo com Like Angels Weeping gerando muitos empurões,
seguida por Crippled & Broken e As I Slither. Para fechar,
o vocalista Maurizio Iacono fez todos cantarem a música
In Shadows & Dust. Também do Canadá vem o 3
Inches of Blood que faz um mistura de Judas Priest e Iron Maiden,
com um pesinho extra. Foi uma apresentação normal,
sem muitas reações do público, o destaque
ficou para uma nova composição e a última
música, Deadly Sinner, a mais conhecida deles. Na seqüência
foi a vez do Walls Of Jericho mostrar as suas garras através
da vocalista Candace Kucsulain e o seu Metalcore bem coeso e pesado.
Devo admitir que a banda obteve uma melhora incrível e
nunca vi tanta mulher pulando e se batendo nas rodas que se formavam
a todo instante, a presença de palco de Candace é
uma das melhores que já presenciei e com certeza ela sabe
comandar o show! Por alguma razão o Dark Tranquility foi
anunciado, porém nunca apareceu... E o pior é que
ninguém conseguiu uma explicação razoável.
Mas dando continuidade ao evento... Era uma vez uma banda de New
Metal chamada Coal Chamber que obteve um bom sucesso, porém
acabou morrendo alguns anos mais tarde, de suas cinzas o vocalista
Dez Fafara se juntou ao DevilDriver, banda com uma proposta sonora
bem mais agressiva e difícil de ser rotulada.
A
apresentação começou com End Of The line,
Nothing’s Wrong e a ótima I Could Care Less, a essa
altura as rodas se formavam constantemente e os bumbos altos da
bateria de John Boecklin davam um tremendo peso ao som. O show
ainda trouxe Grind Fucked, Hold Back The Day e algumas outras
além de uma novidade que estará presente no próximo
lançamento. Voltando ao Metalcore foi a vez do Bury Your
Dead fazer uma apresentação muito energética,
pesada; afinações baixas e cabelos bonitinhos. É
isso mesmo, mas apesar do visual mais ajeitadinho de alguns no
palco o show fez muita gente bater cabeça enquanto Brendan
"Slim" MacDonald e Eric Ellis giravam suas guitarras
e se movimentavam de maneira aparentemente ensaiada. A surpresa
ficou para o final quando Mat Bruso, ex-vocalista subiu ao palco
para cantar Magnolia e fez o local virar uma zona e a coisa piorou
ainda mais com a entrada de Philip Labont (All That Remains) para
fechar o set com Mash. Com a noite quase chegando ao fim foi a
vez do cramunhão tomar conta do local sob a forma do Behemoth,
um dos shows mais aguardados do festival. O baterista Inferno
começou provocando a platéia ainda na passagem de
som que demorou alguns minutos, enquanto isso, aproveitei para
conversar um pouco com o Silenoz que tocaria na seqüência.
Logo as luzes se apagaram e a intro de Demigod tocou alto e dali
em diante a profanação tomou conta do local. Logo
vieram as músicas Antichristian Phenomenon, Conquer All,
Summoning Of The Ancient Gods, Christians to the Lions, Christgrinding
Avenue, As Above so Below e Slaves Sahll Serve fechando quase
uma hora de profanação. O tão aguardado Dimmu
Borgir era a promessa da noite e muitos fãs se espremiam
contra a grande em frente ao palco.
Após
uma passagem de som demorada, o que se revelou foi uma estrutura
de palco excelente, Hellhammer e Mustis estavam lado a lado, separados
apenas por uma plataforma que mais tarde seria usada por Shagrath,
além disso, havia a imagem da capa do In Sorti Diaboli
como pano de fundo e um sistema de iluminação muito
bom. Logo as luzes se apagaram e ao som de rápida Intro
o publico gritou muito com a entrada de Hellhammer, Silenoz, Galder,
Mustis, Vortex e Shagrath mandando Progenies Of The Great Apocalypse,
Vredesbyrd, Cataclysm Children, Kings of The Carnival Creation,
Sorgens kammer - Del II , IndoctriNation, A succubus in rapture,
The Serpentine Offering , um curto solo de bateria emendando em
The Chosen Legacy, The Insight & The Catharsis, Spellbound
(by the devil), Mourning palace e The Fallen Arises. A apresentação
do Dimmu Borgir foi exatamente isso, uma atrás da outra
sem um minuto para respirar Aqueles que agüentaram o show
até o final mal sabiam o que o segundo dia guardava.
Sábado:
O segundo e histórico dia prometia muitas surpresas. A
comemoração dos vinte e cinco anos da Metal Blade
Records tinha tudo para ser um sucesso e de fato foi! Um dia dedicado
para uma das maiores gravadoras de metal do mundo, trazendo atrações
exclusivas do passado e presente. O evento começou morno
com o The Architect sendo a primeira banda, seguido por Beyond
The Embrace e Hallows Eve. Dando continuidade entraria o Cellador,
mas infelizmente eles cancelaram a apresentação
em cima da hora. Para ocupar essa tão disputada vaga no
palco principal, foi chamado o The Network que apresentou um som
completamente diferente do que muitos esperavam e culminado em
instrumentos quebrados, tombos e muita zona ao final do show!
Se existe uma banda americana que pode representar a força
do thrash metal atualmente ela se chama Demiricous. Com um som
muito empolgante, misturando algumas influências de death
metal com o mais puro thrash dos anos oitenta, os caras conseguiram
levantar e unir os fãs trazendo muita “bateção
de cabeça” tanto no palco como na pista.Com apenas
vinte minutos para mostrar serviço o show contou com Matador,
Perfection The Infection, Never Enough Road, uma nova música
ainda sem título e para fechar To Serve Is To Destroy.
O Since The Flood veio na seqüência com o seu som seguindo
a nova linha de Metalcore, cada vez mais pesado e que parece estar
a cada dia mais popular. Foi um show intenso, porém bem
dentro do que geralmente acontece e serviu de aquecimento para
o Shai Hulud, uma das bandas precursoras da cena Metalcore atual.
Os dois lançamentos do grupo foram a base para o repertório
de apenas vinte minutos, pouco tempo, mas com um resultado bem
satisfatório. Para quebrar completamente o andamento do
festival, subiu no palco a banda Three (3), ansiosamente aguardada
por muitos fãs e curiosos. A apresentação
abriu com a ótima My Divided Falling, impressionando com
sua levada e a empolgação aumentou em Alien Angel.
A essa altura muita gente já batia palmas e apesar de a
pista não estar muito cheia havia uma interação
muito boa entre a banda e o público. Continuando o show,
Joey Eppard fez um ótimo solo de violão na música
Monster, Brama Fatura seguida por Battle Cry foram os pontos altos
do show, sendo que nessa houve um momento solo de bateria e percussão
bem coeso que literalmente trouxe muita gente para pista! Logo
eles fecharam o repertório com Amaze e a pista já
se encontrava lotada, com muitos aplausos acontecendo. Para acabar
com a harmonia do local foi a vez do Goatwhore entrar em cena
com o seu auto-intitulado Black Metal. Liderados pelo vocalista
Bem Falgoust (Soilent Green), que incitava várias rodas,
o grupo fez acontecer em cima do palco e em meia hora mandou músicas
como Noctural Holocaust, Bloodguilt Eucharist, Bloodletting Upon
The Cloven Hoof, Invert The Virgin, My Eyes Are The Spear Of Chaos
e A Hauting Curse.
A
primeira atração internacional da noite foi o Impious
com seu Death Metal sueco detonando os auto falantes da casa.
Infelizmente poucas pessoas souberam apreciar o som dos caras,
mas os que estavam presentes na pista presenciaram um grande show.
The Confession e Purified By Fire entraram como cartão
de visitas, em Bound To Bleed ninguém mais resistiu e a
“bateção” generalizada começou.
Toxic Paranoia, Bloodcraft, Wicked Saints e a excelente Death
On Floor 44 completaram a ótima apresentação.
O God Dethroned trouxe uma performance um tanto estática,
porém não menos empolgante. Hating Life foi a escolhida
para abrir o show já trazendo a energia necessária
para uma ótima apresentação, na seqüência
veio 2014 e Nihilism fez a primeira fila de fãs sofrer
com os empurrões, Boiling Blood, Villa Vampiria e The Warcult
fecharam um repertório com direito a muito Crowd Surfing.
Para mudar completamente o andar do festival veio o Lizzy Borden,
diretamente de 1985, para dar o melhor show da noite até
então. A banda consistia em Jack Frost (guitarra), Ira
Black (guitarra), Maten Andersson (baixo), Joey Scott (bateria)
e é claro o próprio Lizzy Borden (vocal), todos
transpirando o espírito do metal oitentista através
de suas roupas, timbre e gestos em cima do palco. Cada música
apresentada trazia Lizzy com uma roupagem diferente, ora de máscara,
ora apenas com maquiagem ou de posse de coisas como lanterna,
taco de baseball e até um crânio artificial! O show
ainda trouxe uma stripper local para dar um show à parte
na música Psychopath, tendo sua blusa arrancada e sendo
banhada em sangue (artificial) - posteriormente o sangue também
seria jogado na platéia que já estava ensandecida
com a apresentação. O único problema foi
com a guitarra de Jack Frost que parou de funcionar no meio de
Council For The Cauldron, felizmente a coisa foi resolvida prontamente.
Ainda
tivemos Bloody Tears, Me Against The World e There Will Be Blood
fechando com chave de ouro o show. Job For A Cowboy, apesar do
nome engraçado (algo como ‘Emprego Para Um Vaqueiro’),
os caras trazem um Death Metal brutal, violento e nervoso. Mesmo
estando na ativa a pouco tempo os caras já estão
gozando de um grande respeito no meio underground e fizeram um
show brutal que incluiu faixas do mais novo CD. Continuando com
a brutalidade veio o The Red Chord com o seu Death/Grind Metal,
mas o cansaço já tomava conta e tomar um ar foi
necessário. O The Black Dahlia Murder, que estreava o seu
novo baterista Shannon Lucas (ex-All That Remains), prosseguiu
mostrando um Death Metal extremo. Com um repertório baseado
em seu último lançamento chamado Miasma o show começou
com Flies, Elder Misanthropy e Vulgar Picture abrindo uma enorme
roda no centro da pista, e a coisa não parou nem por um
minuto. Os seguranças tiveram muito trabalho ‘salvaldo’
aqueles que não agüentavam mais tamanha confusão,
que só acabou quando a música Miasma teve a sua
última nota tocada.
Uma
pausa especial é dada para que a ESP Guitars presenteasse
o fundador da Metal Blade Records, Brian Slagel, com uma guitarra
autografada pelas bandas de sua gravadora, num gesto de muito
respeito e admiração, sendo aplaudido por todos
presentes no local! O momento ternura durou pouco, afinal era
a vez do Cannibal Corpse. Sim, os reis do Death Metal vieram para
mostrar porque são líderes e não seguidores.
Quando entraram no palco, com George "Corpsegrinder"
Fisher se posicionando ao centro, eu senti que a coisa não
seria muito amistosa... Unleashing The Bloodthirsty entrou chutando
o pau da barraca, sendo seguida por Murder Worship e George pede
para que todos cantem Decency Defied com ele, pedido que foi atendido
prontamente. Coverd With Soars e Born In A Casket também
são acompanhadas com muito furor até que finalmente
temos uma pausa. Alguns segundos para respirar e George anuncia
guturalmente Make Them Suffer, uma das que mais empolgou os fãs
mais novos. Seguindo com o show tivemos Fucked With A Knife, The
Wretched Spawn, I Will Kill You, Devoured By Vermin, Hammer Smashed
Face e para fechar Trevor Strnad (The Black Dahlia Murder) é
convidado para se juntar a banda e cantar Stripped, Raped And
Strangled. Ao final do show eu sinceramente não imaginei
que encontraria ninguém de pé, incluindo George
Fischer que bateu cabeça da primeira a última música,
numa apresentação digna da reputação
que eles carregam. Teria sido um final de noite perfeito, mas
ainda tínhamos o Unearth, banda que vem se destacando muito
após o lançamento de In The Eyes Of Fire. Por serem
da região de Massachusetts, uma grande base de fãs
esperava ansiosamente por eles. Com o palco limpo, totalmente
para eles, uma calorosa salva de palmas e gritos recebeu uma das
melhores performances de palco em dois dias de festival. Giles
foi a introdução para que as rodas se abrissem,
This Lying World, This Glorious Nightmare e The Great Dividers
foram apresentadas com muita energia. Os guitarristas Buzz McGrath
e Ken Susi corriam de um lado para o outro enquanto executavam
seus riffs e solos, deixando muita gente de boca aberta na platéia.
Zombie
Autopilot veio na seqüência e o show teve o seu auge
com a música Sanctity Of Brothers. One Step Away, March
Of The Mutes, Endless e Blck Hearts Now Reign encerraram a noite
com Buzz quebrando a sua guitarra e jogando os destroços
para a platéia. Finalmente estávamos chegando ao
final e a surpresa da noite finalmente se revelaria. Uma Jam Session
foi organizada para homenagear o metal dos anos oitenta. Seis
músicas foram escolhidas – Hit The Lights (Metallica),
Can You Deliver (Armored Saint), Cold Sweat (Thin Lizzy), Black
Magic e Die By The Sword (Slayer) e Am I Evil (Diamond Head) foram
cantadas por todos aqueles que resistiram até o final.
Dentre os participantes da Jam tivemos Joey Vera, Buzz McGrath,
Ken Susi, Ben Falgoust e vários outros participantes. Depois
de dois dias de muito metal, água, cerveja, festa e energético
o festival chegou ao seu fim, mais uma vez com um saldo muito
positivo!
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