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Hellion Records
 Matéria

05/07/2007
New England Metal and Hardcore Fest
The Palladium – Worcester/MA EUA
Texto e fotos: Guilherme Spiazzi
 
Finalmente chegamos à nona edição do New England Metal and Hardcore Fest celebrando e enaltecendo o underground. Ao contrário da maioria dos festivais itinerantes, o NEMHCF acontece em um antigo teatro e traz desde as bandas mais desconhecidas até aquelas mais evidenciadas pela mídia, não se limitando as modinhas que rolam aqui nos Estados Unidos. Nomes como The Haunted, Diecast, God Forbid, Dark Funeral, Soilwork, All That Remains, Meshuggah, Opeth, Arch Enemy, Iced Earth, Children of Bodom, Nightwish, Sonata Arctica, Gamma Ray, Exodus, Byzantine, Dragonforce, Cellador e muito outros já pisaram no palco deste espetacular evento.

Este ano sessenta e duas bandas foram anunciadas para dividir os dois palcos do festival, no andar de cima um espaço menor dedicado para as bandas emergentes e no andar de baixo uma grande área, somando uma capacidade de mais de dois mil fãs. Além disso, o segundo dia se comemorava os vinte e cinco anos da Metal Blade Records em uma festa que prometia muitas surpresas.

Sexta Feira:
O tráfego e forte chuva que caia atrapalharam muito e acabei chegando ao festival com duas horas de atraso, as apresentações começaram ao meio dia e sendo assim não pude conferir algumas boas bandas como Daath, xDeathStarsx e Thy Will Be Done. Logo que entrei, me deparei com um som de bateria monstruoso, no comando estava o The Faceless ministrando um Death Metal brutal e em vinte minutos de show conseguiu deixar muita gente de cabelo em pé! Nora, Devil Wears Prada, All Shall Perish, Still Remains e Despised Icon foram as bandas que se revezaram no palco principal até a entrada do Skinless caracterizado pelo vocalista Jason Keyser usando uma mascara de gás que logo foi tirada para que os berros guturais tomassem conta do local.

Apenas cinco músicas figuraram o repertório – Overlord, Tampon Lollipops, Tug of War Intestines, Deathwork e The Optimist trouxeram muita agitação, fazendo até Jason pular do palco diretamente para o público! Enquanto o Nachtmystium mostrava o seu Black Metal eu aproveitei para dar uma respirada, o calor começava a incomodar e alguns contatos tinham que ser feitos. Menos de vinte minutos para colocar as coisas em ordem e é chegada a vez dos canadenses do Kataklysm serem calorosamente recebidos pelos fãs. Apresentando o seu Death Metal de muita qualidade a ‘diversão’ começou logo com Like Angels Weeping gerando muitos empurões, seguida por Crippled & Broken e As I Slither. Para fechar, o vocalista Maurizio Iacono fez todos cantarem a música In Shadows & Dust. Também do Canadá vem o 3 Inches of Blood que faz um mistura de Judas Priest e Iron Maiden, com um pesinho extra. Foi uma apresentação normal, sem muitas reações do público, o destaque ficou para uma nova composição e a última música, Deadly Sinner, a mais conhecida deles. Na seqüência foi a vez do Walls Of Jericho mostrar as suas garras através da vocalista Candace Kucsulain e o seu Metalcore bem coeso e pesado. Devo admitir que a banda obteve uma melhora incrível e nunca vi tanta mulher pulando e se batendo nas rodas que se formavam a todo instante, a presença de palco de Candace é uma das melhores que já presenciei e com certeza ela sabe comandar o show! Por alguma razão o Dark Tranquility foi anunciado, porém nunca apareceu... E o pior é que ninguém conseguiu uma explicação razoável. Mas dando continuidade ao evento... Era uma vez uma banda de New Metal chamada Coal Chamber que obteve um bom sucesso, porém acabou morrendo alguns anos mais tarde, de suas cinzas o vocalista Dez Fafara se juntou ao DevilDriver, banda com uma proposta sonora bem mais agressiva e difícil de ser rotulada.

A apresentação começou com End Of The line, Nothing’s Wrong e a ótima I Could Care Less, a essa altura as rodas se formavam constantemente e os bumbos altos da bateria de John Boecklin davam um tremendo peso ao som. O show ainda trouxe Grind Fucked, Hold Back The Day e algumas outras além de uma novidade que estará presente no próximo lançamento. Voltando ao Metalcore foi a vez do Bury Your Dead fazer uma apresentação muito energética, pesada; afinações baixas e cabelos bonitinhos. É isso mesmo, mas apesar do visual mais ajeitadinho de alguns no palco o show fez muita gente bater cabeça enquanto Brendan "Slim" MacDonald e Eric Ellis giravam suas guitarras e se movimentavam de maneira aparentemente ensaiada. A surpresa ficou para o final quando Mat Bruso, ex-vocalista subiu ao palco para cantar Magnolia e fez o local virar uma zona e a coisa piorou ainda mais com a entrada de Philip Labont (All That Remains) para fechar o set com Mash. Com a noite quase chegando ao fim foi a vez do cramunhão tomar conta do local sob a forma do Behemoth, um dos shows mais aguardados do festival. O baterista Inferno começou provocando a platéia ainda na passagem de som que demorou alguns minutos, enquanto isso, aproveitei para conversar um pouco com o Silenoz que tocaria na seqüência. Logo as luzes se apagaram e a intro de Demigod tocou alto e dali em diante a profanação tomou conta do local. Logo vieram as músicas Antichristian Phenomenon, Conquer All, Summoning Of The Ancient Gods, Christians to the Lions, Christgrinding Avenue, As Above so Below e Slaves Sahll Serve fechando quase uma hora de profanação. O tão aguardado Dimmu Borgir era a promessa da noite e muitos fãs se espremiam contra a grande em frente ao palco.

Após uma passagem de som demorada, o que se revelou foi uma estrutura de palco excelente, Hellhammer e Mustis estavam lado a lado, separados apenas por uma plataforma que mais tarde seria usada por Shagrath, além disso, havia a imagem da capa do In Sorti Diaboli como pano de fundo e um sistema de iluminação muito bom. Logo as luzes se apagaram e ao som de rápida Intro o publico gritou muito com a entrada de Hellhammer, Silenoz, Galder, Mustis, Vortex e Shagrath mandando Progenies Of The Great Apocalypse, Vredesbyrd, Cataclysm Children, Kings of The Carnival Creation, Sorgens kammer - Del II , IndoctriNation, A succubus in rapture, The Serpentine Offering , um curto solo de bateria emendando em The Chosen Legacy, The Insight & The Catharsis, Spellbound (by the devil), Mourning palace e The Fallen Arises. A apresentação do Dimmu Borgir foi exatamente isso, uma atrás da outra sem um minuto para respirar Aqueles que agüentaram o show até o final mal sabiam o que o segundo dia guardava.

Sábado:
O segundo e histórico dia prometia muitas surpresas. A comemoração dos vinte e cinco anos da Metal Blade Records tinha tudo para ser um sucesso e de fato foi! Um dia dedicado para uma das maiores gravadoras de metal do mundo, trazendo atrações exclusivas do passado e presente. O evento começou morno com o The Architect sendo a primeira banda, seguido por Beyond The Embrace e Hallows Eve. Dando continuidade entraria o Cellador, mas infelizmente eles cancelaram a apresentação em cima da hora. Para ocupar essa tão disputada vaga no palco principal, foi chamado o The Network que apresentou um som completamente diferente do que muitos esperavam e culminado em instrumentos quebrados, tombos e muita zona ao final do show! Se existe uma banda americana que pode representar a força do thrash metal atualmente ela se chama Demiricous. Com um som muito empolgante, misturando algumas influências de death metal com o mais puro thrash dos anos oitenta, os caras conseguiram levantar e unir os fãs trazendo muita “bateção de cabeça” tanto no palco como na pista.Com apenas vinte minutos para mostrar serviço o show contou com Matador, Perfection The Infection, Never Enough Road, uma nova música ainda sem título e para fechar To Serve Is To Destroy. O Since The Flood veio na seqüência com o seu som seguindo a nova linha de Metalcore, cada vez mais pesado e que parece estar a cada dia mais popular. Foi um show intenso, porém bem dentro do que geralmente acontece e serviu de aquecimento para o Shai Hulud, uma das bandas precursoras da cena Metalcore atual. Os dois lançamentos do grupo foram a base para o repertório de apenas vinte minutos, pouco tempo, mas com um resultado bem satisfatório. Para quebrar completamente o andamento do festival, subiu no palco a banda Three (3), ansiosamente aguardada por muitos fãs e curiosos. A apresentação abriu com a ótima My Divided Falling, impressionando com sua levada e a empolgação aumentou em Alien Angel. A essa altura muita gente já batia palmas e apesar de a pista não estar muito cheia havia uma interação muito boa entre a banda e o público. Continuando o show, Joey Eppard fez um ótimo solo de violão na música Monster, Brama Fatura seguida por Battle Cry foram os pontos altos do show, sendo que nessa houve um momento solo de bateria e percussão bem coeso que literalmente trouxe muita gente para pista! Logo eles fecharam o repertório com Amaze e a pista já se encontrava lotada, com muitos aplausos acontecendo. Para acabar com a harmonia do local foi a vez do Goatwhore entrar em cena com o seu auto-intitulado Black Metal. Liderados pelo vocalista Bem Falgoust (Soilent Green), que incitava várias rodas, o grupo fez acontecer em cima do palco e em meia hora mandou músicas como Noctural Holocaust, Bloodguilt Eucharist, Bloodletting Upon The Cloven Hoof, Invert The Virgin, My Eyes Are The Spear Of Chaos e A Hauting Curse.

A primeira atração internacional da noite foi o Impious com seu Death Metal sueco detonando os auto falantes da casa. Infelizmente poucas pessoas souberam apreciar o som dos caras, mas os que estavam presentes na pista presenciaram um grande show. The Confession e Purified By Fire entraram como cartão de visitas, em Bound To Bleed ninguém mais resistiu e a “bateção” generalizada começou. Toxic Paranoia, Bloodcraft, Wicked Saints e a excelente Death On Floor 44 completaram a ótima apresentação. O God Dethroned trouxe uma performance um tanto estática, porém não menos empolgante. Hating Life foi a escolhida para abrir o show já trazendo a energia necessária para uma ótima apresentação, na seqüência veio 2014 e Nihilism fez a primeira fila de fãs sofrer com os empurrões, Boiling Blood, Villa Vampiria e The Warcult fecharam um repertório com direito a muito Crowd Surfing. Para mudar completamente o andar do festival veio o Lizzy Borden, diretamente de 1985, para dar o melhor show da noite até então. A banda consistia em Jack Frost (guitarra), Ira Black (guitarra), Maten Andersson (baixo), Joey Scott (bateria) e é claro o próprio Lizzy Borden (vocal), todos transpirando o espírito do metal oitentista através de suas roupas, timbre e gestos em cima do palco. Cada música apresentada trazia Lizzy com uma roupagem diferente, ora de máscara, ora apenas com maquiagem ou de posse de coisas como lanterna, taco de baseball e até um crânio artificial! O show ainda trouxe uma stripper local para dar um show à parte na música Psychopath, tendo sua blusa arrancada e sendo banhada em sangue (artificial) - posteriormente o sangue também seria jogado na platéia que já estava ensandecida com a apresentação. O único problema foi com a guitarra de Jack Frost que parou de funcionar no meio de Council For The Cauldron, felizmente a coisa foi resolvida prontamente.

Ainda tivemos Bloody Tears, Me Against The World e There Will Be Blood fechando com chave de ouro o show. Job For A Cowboy, apesar do nome engraçado (algo como ‘Emprego Para Um Vaqueiro’), os caras trazem um Death Metal brutal, violento e nervoso. Mesmo estando na ativa a pouco tempo os caras já estão gozando de um grande respeito no meio underground e fizeram um show brutal que incluiu faixas do mais novo CD. Continuando com a brutalidade veio o The Red Chord com o seu Death/Grind Metal, mas o cansaço já tomava conta e tomar um ar foi necessário. O The Black Dahlia Murder, que estreava o seu novo baterista Shannon Lucas (ex-All That Remains), prosseguiu mostrando um Death Metal extremo. Com um repertório baseado em seu último lançamento chamado Miasma o show começou com Flies, Elder Misanthropy e Vulgar Picture abrindo uma enorme roda no centro da pista, e a coisa não parou nem por um minuto. Os seguranças tiveram muito trabalho ‘salvaldo’ aqueles que não agüentavam mais tamanha confusão, que só acabou quando a música Miasma teve a sua última nota tocada.

Uma pausa especial é dada para que a ESP Guitars presenteasse o fundador da Metal Blade Records, Brian Slagel, com uma guitarra autografada pelas bandas de sua gravadora, num gesto de muito respeito e admiração, sendo aplaudido por todos presentes no local! O momento ternura durou pouco, afinal era a vez do Cannibal Corpse. Sim, os reis do Death Metal vieram para mostrar porque são líderes e não seguidores. Quando entraram no palco, com George "Corpsegrinder" Fisher se posicionando ao centro, eu senti que a coisa não seria muito amistosa... Unleashing The Bloodthirsty entrou chutando o pau da barraca, sendo seguida por Murder Worship e George pede para que todos cantem Decency Defied com ele, pedido que foi atendido prontamente. Coverd With Soars e Born In A Casket também são acompanhadas com muito furor até que finalmente temos uma pausa. Alguns segundos para respirar e George anuncia guturalmente Make Them Suffer, uma das que mais empolgou os fãs mais novos. Seguindo com o show tivemos Fucked With A Knife, The Wretched Spawn, I Will Kill You, Devoured By Vermin, Hammer Smashed Face e para fechar Trevor Strnad (The Black Dahlia Murder) é convidado para se juntar a banda e cantar Stripped, Raped And Strangled. Ao final do show eu sinceramente não imaginei que encontraria ninguém de pé, incluindo George Fischer que bateu cabeça da primeira a última música, numa apresentação digna da reputação que eles carregam. Teria sido um final de noite perfeito, mas ainda tínhamos o Unearth, banda que vem se destacando muito após o lançamento de In The Eyes Of Fire. Por serem da região de Massachusetts, uma grande base de fãs esperava ansiosamente por eles. Com o palco limpo, totalmente para eles, uma calorosa salva de palmas e gritos recebeu uma das melhores performances de palco em dois dias de festival. Giles foi a introdução para que as rodas se abrissem, This Lying World, This Glorious Nightmare e The Great Dividers foram apresentadas com muita energia. Os guitarristas Buzz McGrath e Ken Susi corriam de um lado para o outro enquanto executavam seus riffs e solos, deixando muita gente de boca aberta na platéia.

Zombie Autopilot veio na seqüência e o show teve o seu auge com a música Sanctity Of Brothers. One Step Away, March Of The Mutes, Endless e Blck Hearts Now Reign encerraram a noite com Buzz quebrando a sua guitarra e jogando os destroços para a platéia. Finalmente estávamos chegando ao final e a surpresa da noite finalmente se revelaria. Uma Jam Session foi organizada para homenagear o metal dos anos oitenta. Seis músicas foram escolhidas – Hit The Lights (Metallica), Can You Deliver (Armored Saint), Cold Sweat (Thin Lizzy), Black Magic e Die By The Sword (Slayer) e Am I Evil (Diamond Head) foram cantadas por todos aqueles que resistiram até o final. Dentre os participantes da Jam tivemos Joey Vera, Buzz McGrath, Ken Susi, Ben Falgoust e vários outros participantes. Depois de dois dias de muito metal, água, cerveja, festa e energético o festival chegou ao seu fim, mais uma vez com um saldo muito positivo!





Publicado 05/07/2007- www.universodorock.com






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