Aerosmith emociona fãs em show incrível no Allianz Parque

Por: Carla Maio
Foto: Camila Cara/ Move Concerts
Foto: Camila Cara/ Move Concerts

Clima agradável com direito a lua cheia, que sem qualquer cerimônia ou timidez iluminou o Allianz Parque na noite do último sábado (15/10), durante a turnê “Rock n’ Roll Rumble – Aerosmith Style 2016”. Uma multidão de fãs lotou o estádio e assistiu extasiada ao incrível espetáculo que a banda apresentou na capital paulista.

E o que dizer da banda que abriu para o Aerosmith no show de São Paulo? Bem, a Sioux 66 já está na estrada desde 2011, tem um EP e lançou em 2013 o álbum Diante do Inferno. A grande sacada da banda são as letras cantadas em português, um hard rock autoral que colocou os caras diante da grande chance de abrir para o Aerosmith.

“É uma grande honra para nós do Sioux 66 estar aqui hoje, aquecer para esses caras que também são nossos ídolos”, comemora o vocalista Igor Godoi, que junto com os guitarristas Mika Jaxx e Bento Mello, o baixista Fabio Bonnies e o baterista Gabriel Haddad mostram algumas de suas músicas, como “Você não pode me salvar”, “Outro lado”, “Tudo que Restou”, além de versões curiosas de “Black or White”, de Michael Jackson, e “Calibre”, dos Paralamas do Sucesso.

Foto: Camila Cara/ Move Concerts
Foto: Camila Cara/ Move Concerts

Emoções mais do que doces
Uma equipe alucinada de mais de 20 pessoas deixou o palco pronto para o Aerosmith em menos de 15 minutos. Pontualmente, às 21h, o blues de Muddy Waters, “Manish Boy”, chama Steven Tyler, Tom Hamilton, Joey Kramer, Joe Perry, Brad Whitford e Buck Johnson ao palco e os músicos arrebentam com os versos “checkmate honey, beat you at your own damn game”, de “Draw the Line”, música que dá nome ao álbum de 1977. “E aí, galera!”, cumprimenta Tyler em bom e sonoro português e a banda manda a animada “Love in an Elevator”, (Pump, 1989), álbum que rendeu à banda Grammy Award de melhor performance de Hard Rock.

E por falar em Grammy, “Cryin” foi sucesso absoluto dos anos 1990, e além de prêmio de melhor música, tem um videoclipe irado, com incrível performance de Alicia Silverstone, sonho de liberdade que povoou o imaginário de muitos jovens numa declarada manifestação de dar a volta por cima.

“Fifty thousand crazy mother fuckers”, estima Tyler aos berros, e éramos cerca de 45 mil pessoas prestigiando o retorno da banda ao Brasil, agora pela sexta vez. Get a gripe (1993), polêmico e aclamado pelos fãs como um dos melhores álbuns do Aerosmith, rendeu ao show no Allianz Parque outras pérolas, como “Eat the Rich”, “Crazy” e “Livin’ on the Edge”, esta última com destaque para a projeção de imagens de prédios sendo demolidos.

Foto: Camila Cara/ Move Concerts
Foto: Camila Cara/ Move Concerts

Prata da casa, Joe Perry dá um show à parte com sua guitarra, compondo com Tyler uma linha de frente fortalecida e cheia de energia, dá até para entender porque o apelido de gêmeos tóxicos pegou com tanta intensidade. As clássicas “Kings and Queens” (Draw the Line, 1977), “Rats in the Cellar” (Rocks, 1976) e “Chip Away the Stone” (Live! Botleg, 1978) trazem o peso dessa energia, legítimas Hard Rock setentistas que animaram fãs de outras gerações.
Are you sure about that?

Sucessos dos anos 80 para lavar a alma embalaram o show, um revival pela carreira do Aerosmith com músicas impressionantes, como “Dude” e “Rag Doll” (Permanent Vacation, 1987), “Monkey on My Back” (Pump, 1989) e a incrível “Pink” (Nine Lives, 1997) que tornaram a festa ainda mais gostosa e mostraram que o tempo ao longo dos quase 50 anos de estrada deixou o que já era bom, ainda melhor. Os caras são como safras preciosas do que há de melhor em matéria de rock’n’roll.

Perry assume os vocais com bastante competência em Stop Messin’ Around, uma blusera divertida, com direito a solo de gaita e pegada de “Got to Move”, do Fleetwood Mac. Os fãs ajudam e junto com Tyler cantam trecho de “Hole in my Soul”, pouco antes dos teclados de Buck Jonhson chamarem “I Don’t Want to Miss a Thing” (Armageddon, 1998). Homenagear os caras de Liverpool pode? Claro que sim, e o Aerosmith traz “Come Together”, antes da diversificada “Walk This Way” (Toys in the Attic, 1975), última música do set list, com direito a mãos ao ar e vocalizações malucas à la “Whole Lotta Love”, no final.

Foto: Camila Cara/ Move Concerts
Foto: Camila Cara/ Move Concerts

Com as luzes apagadas, o piano é posicionado no centro do palco. Tyler senta-se e o melhor ainda está por vir com a intro de “Home Tonight”, que deu belíssimo gancho para “Dream On” (Aerosmith, 1973), e a eletrizante Sweet Emotion (Toys in the Attic, 1975), um final de show realmente incrível, para a galera ir embora para casa de alma lavada.

E tenhamos calma. Apesar das declarações de que a banda encerra carreira em breve, o Aerosmith volta ao Brasil no ano que vem para o Rock in Rio. O jeito agora é aguardar os caras recarregarem suas baterias e colocarem os pés na estrada.

Na próxima sexta-feira, 21 de outubro, é a vez de Recife receber a turnê “Rock n’ Roll Rumble”, com show no Classic Hall, às 22h, em Olinda.

Setlist:
1. “Draw the Line”
2. “Love in an Elevator”
3. “Cryin'”
4. “Eat the Rich”
5. “Crazy”
6. “Kings and Queens”
7. “Livin’ on the Edge”
8. “Rats in the Cellar”
9. “Dude (Looks Like a Lady)”
10. “Monkey on My Back”
11. “Pink”
12. “Rag Doll”
13. “Stop Messin’ Around”
14. “Chip Away the Stone”
15. “I Don’t Want to Miss a Thing”
16. “Come Together” (The Beatles cover)
17. “Walk This Way”
Bis:
18. “Dream On”
19. “Sweet Emotion”

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